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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Francisco Mignone

Francisco Mignone, maestro e instrumentista, nasceu em São Paulo, em 3 de setembro de 1897. Filho do flautista italiano Alferio Mignone, professor de música e integrante da Orquestra do Teatro Municipal, iniciou com ele seus estudos musicais.

Aos dez anos começou a estudar piano com Sílvio Motto. Nesta época, usando o codinome Chico Bororó, já era um conhecido seresteiro, compondo e tocando em rodas de choro nas esquinas dos bairros paulistas do Brás, Bexiga, Barrafunda.

A partir dos 13 anos começou a tocar em bailes e festas particulares como pianista condutor de pequenas orquestras.

Em 1913, matriculou-se nas aulas de piano, flauta e composição do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Neste mesmo ano foi premiado em concurso de composição com a valsa Manon e o tango Não se impressione. No ano seguinte obteve nova premiação com o Romance em lá maior. No Conservatório conheceu Mário de Andrade, seu colega de estudos musicais e futuro parceiro.

Logo após sua formatura, em 1917, Mignone apresentou duas peças musicais que já demonstravam seu interesse por temas nacionais: a Suíte Campestre e o poema sinfônico Caramuru. O sucesso da apresentação lhe rendeu uma bolsa de estudos na Europa, oferecida pelo governo paulista.

Depois de muito refletir, decidiu ir para Milão, referência mundial para os músicos na época. Sob a orientação de Vicenzo Ferroni, escreveu sua primeira ópera, O contratador de diamantes, baseada na obra de Afonso Arinos. Congada, peça orquestral desta ópera, foi regida em primeira audição por Richard Strauss e executada pela Orquestra Filarmônica de Viena, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1923.

O sucesso de sua primeira ópera o incentivou a escrever L'Innocente, composta sobre libreto italiano e regida por Emil Cooper no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Entre 1927 e 1928 viajou pela Espanha, onde compôs canções como Las Mujeres son las Moscas, El Clavellito en tus Lindos Cabellos e Porque Lloras, Morenita?.

Em 1929, voltando definitivamente ao Brasil, compôs a 1a. Fantasia Brasileira para piano e orquestra. Em 1933, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde, no ano seguinte, assumiu a cadeira de regência do Instituto Nacional de Música. Ministrou aulas durante 35 anos na atual Escola de Música, onde deu aulas para Eleazar de Carvalho, Henrique Morelenbaun e Mário Tavares.

Neste período, compôs uma de suas melhores obras a primeira do ciclo negro Maracatu de Chico Rei, um bailado afro-brasileiro inspirado em episódios da construção, por negros libertos, da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Vila Rica.

"A verdadeira e melhor expressão musical de Mignone reside na orquestra.Nesse campo, nenhum brasileiro lhe pode ser comparado." (Mário de Andrade).

Os bailados Maracatu e Leilão, e os poemas negros Batucajé e Babalorixá integram o ciclo de músicas com acento afro-brasileiro que Mário de Andrade chamava de "fase negra".

Em 1939 compôs Quadros Amazônicos, obra que causou muita polêmica, sendo o quadro Iara censurado no governo de Getúlio Vargas.

Neste mesmo inspirado ano iniciou outra de suas melhores composições, a suíte sinfônica Festa das Igrejas, com sugestão inicial de Mário de Andrade, que, segundo Vasco Mariz, "representa certamente o clímax da criação musical de Francisco Mignone, não somente pela riqueza e pureza de inspiração como também pela qualidade dos recursos musicais ali empregados, confirmando sua reputação de compositor e instrumentador".

Considerado o "rei da valsa" por Manuel Bandeira , Mignone compôs muitas obras para piano solo, destacando-se os Seis Prelúdios, as Lendas Sertanejas, as 12 Valsas-Choro, as 12 Valsas Brasileiras e as famosas 12 Valsas de Esquina. Gostava muito de compor valsas, sendo que várias delas foram gravadas com sua esposa, Maria Josephina, que até hoje divulga sua obra. Para piano e orquestra compôs as Fantasias Brasileiras e o Concerto.

Mignone compôs várias canções com base em poemas de autores brasileiros consagrados, como No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade e A estrela, Anjo da Guarda, Berimbau, Solar do Desamado, Pousa a mão na minha testa, em parceria com Manuel Bandeira,

Com Mário de Andrade, amigo desde a adolescência, criou obras de cunho social, como O Café e Sinfonia do Trabalho, além de musicar, após a morte do escritor, seus poemas Rudá, Rudá e Cantiga do ai.

Mignone musicou também a Coleção Poema das Cinco Canções, de Mário Quintana, e o Pequeno Oratório de Santa Clara, de Cecília Meireles.

A pintura de Cândido Portinari exerceu grande fascínio sobre Mignone, que inspirou-se em sua obra O espantalho para compor uma canção.

Mignone incursionou também pelo cinema, escrevendo músicas para os filmes Menina-moça e Caiçara de Alberto Cavalcanti, e Sob o céu da Bahia, de Remani.

Faleceu a 18 de fevereiro de 1986.

Fontes: Viva Brazil - Francisco Mignone; CDMS.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Carramona

Albertino Ignácio Pimentel, instrumentista, regente e compositor (Rio de Janeiro RJ 12/4/1874 – id. 6/8/1929), foi o primeiro mestre militar da Banda de Música do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, substituiu o maestro Agostinho Luiz de Gouvêa. Amigo particular de Anacleto de Medeiros e de Agostinho Pereira, fazia parte de orquestras e bandas civis do Rio de Janeiro.

Naquele tempo o chamavam de Carramona, alguns pesquisadores dizem que era apelido, hoje, esclarecemos que seu nome verdadeiro era Albertino Pimentel Carramona, e quando já estava no Corpo de Bombeiros, no boletim de 20 de novembro de 1903, pela ordem do dia Nº 116, foi mandando retificar em seus assentamentos, o nome de Albertino Pimentel Carramona, para Albertino Ignácio Pimentel.

Segundo o livro de Ary Vasconcelos, Albertino foi aprendiz dos Meninos Desvalidos de Vila Isabel, onde naturalmente aprendeu a tocar seu instrumento, que o faria mais tarde um dos maiores trompetistas e compositores do Rio de Janeiro.

Foi protegido pela Princesa Isabel, pois estando a Banda dos Meninos Desvalidos tocando um dia no Palácio Guanabara, a princesa ficou encantada pelo solo de trompete, mandado vir a sua presença, notou que ele tinha uma das vistas vazadas, que muito sentiu, e ordenou que fosse apresentado a um oculista que colocou uma prótese tão perfeita, que não se notava o defeito.

Na Banda do Corpo de Bombeiros, como dito anteriormente, realizou sua grande obra. No meio civil, em sua época, foi um grande compositor, com várias músicas gravadas, muitas destas composições com letras de Catulo da Paixão Cearense.

Faleceu no posto de segundo-tenente reformado da Banda do Corpo de Bombeiros. Deixou produção volumosa, especialmente polcas, que depois foram incorporadas ao repertório dos choros.

Alexandre Gonçalves Pinto fala ainda em seu livro O Choro: "Carramona mostrou competência e saber de um verdadeiro artista, seguindo com capacidade e respeito o querido amigo Anacleto. Tornando-se um exímio professor, compositor, e continuador do seu inesquecível mestre, tendo-lhe substituído no nível de igualdade. As músicas de Carramona, são disputadas pelo valor de elevada inspiração".

Obras

Albertina, polca, s.d.; Ameno Resedá, polca, s.d.; Amorosa, xótis, s.d.; Araci, valsa, s.d.; Arisca, xótis, s.d.; Arrufos, polca, s.d.; Botão de rosa, xótis, s.d.; Carnavalesca, polca, s.d.; Catita, valsa, s.d.; Cavação, polca, s.d.; Chininha, polca, s.d.; Choques e cheques, polca, s.d.; Chora, Jesus, polca, s.d.; Colúmbia, dobrado, s.d.; Coralina, polca, s.d.; Deixe-me viver, polca, s.d.; Dengos de moça, xótis, s.d.; Dezenove de abril, xótis, s.d.; Diva, polca, s.d.; Diva, valsa, s.d.; Emilia, gavota, s.d.; Encantadora, mazurca, s.d.; Espumas, valsa, s.d.; Esquecida polca, s.d.; Fagulhas, polca, s.d.; Fantasia ao luar (ou Templo ideal, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), polca, s.d.; Felicidade, polca, s.d.; Os filhos da noite, polca, s.d.; Fio de ouro, polca, s.d.; Fogo vivo, polca, s.d.; Garbo e civismo, dobrado, s.d.; Gaúcho (ou Ondas, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), tango, s.d.; Gueixas, xótis, s.d.; Helena, polca, s.d.; Iracema, polca, s.d.; Joaninha, polca, s.d.; Jorge, dobrado, s.d.; Juçara, polca, s.d.; Jurandi, polca, s.d.; Jurema, polca, s.d.; Lágrimas sinceras, valsa, s.d.; Marfisa, valsa, s.d.; Marília, polca, s.d.; Marília, xótis, s.d.; As mariposas, polca, s.d.; Mas que pagode, polca, s.d.; Meiga, polca, s.d.; Monteiro no sarilho, polca, s.d.; Morrer contente, polca, s.d.; Nanazinha, valsa, s.d.; Não perca a cabeça, polca, s.d.; Noêmia, tango, s.d.; Nonô, polca, s.d.; Olhos furtivos, polca, s.d.; Ouve as minhas súplicas, xótis, s.d.; Pairando no azul, valsa, s.d.; Patuscada, polca, s.d.; A pequena Maria, polca, s.d.; Pérola, polca, s.d.; Raios de luar, valsa, s.d.; Recordações de Lili, valsa, s.d.; Recordações de Paquetá, polca, s.d.; Recorda-te, valsa, s.d.; Sacuda-se, tango, s.d.; Saudades de Luísa, valsa, s.d.; Saudades do Anacleto, dobrado, s.d.; Sempre chegou, xótis, s.d.; A sombra da floresta, polca, s.d.; Sonhando, valsa, s.d.; O Sousa brincando, polca, s.d.; Suavidade, valsa, s.d.; Sugestiva, valsa, s.d.; Tapir, xótis, s.d.; Tinguagiva, polca, s.d.; Tiririca, polca, s.d.; Vaga-lume, paso-doble, s.d.; Yvette (suíte), valsa, s.d.

Fontes: Banda Maravilhosa de Luiz Viana; Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora.