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domingo, 11 de janeiro de 2009

Cláudio Fontana

O cantor e compositor Cláudio Fontana nasceu em São Luís do Maranhão, em 14 de junho de 1945. Desde pequeno sempre gostou de cantar e freqüentava programas de auditório das rádios de São Luís do Maranhão. Depois de ganhar alguns concursos para cantor, passou a apresentar um programa de televisão pela TV Difusora - Canal 4, chamado "Bar de Melodias", onde dividia a apresentação com o locutor da época (1963/64), Leonor Filho e "Nonato e Seu Conjunto". Nessa oportunidade, cantava bossa nova e sucessos populares da época.

Em 31 de dezembro de 1965, partiu para o Rio de Janeiro com o sonho de conquistar todo o Brasil, cantando e compondo. Lá, conheceu e mostrou seu trabalho para pessoas do meio artístico da época, como: Carlos Imperial (descobridor de Roberto Carlos), Wilton Franco (produtor musical na TV Excelsior - Rio), Sr. Barros, assessor artístico de Cauby Peixoto e Osmar Navarro.

Mas foi o empresário Genival Melo, que numa tarde de sábado de 1967, no Programa “Festa do Bolinha" - apresentado por Jair Taumaturgo (TV Rio - Canal 13 ) - , que ao escutar as músicas Não posso controlar meu pensamento e Doce de coco (ambas com Robert Livi), quem lhe deu a primeira grande oportunidade, gravando esta música com o cantor Wanderley Cardoso, seu contratado na época. Estas canções alcançariam os primeiros lugares da parada de sucesso daquele ano, sendo então o pontapé inicial das canções que Cláudio Fontana gravaria daí para frente com muitos cantores.

Em 1968 foi para São Paulo, onde gravou seus dois primeiros discos pela Gravadora Copacabana. Mas foi em 1970 que estourou em todo o Brasil com a música de autoria de Geraldo Nunes, chamada Adeus ingrata. Além de mais de 100 mil cópias vendidas, ganhou também o Troféu Chico Viola, da TV Record, entregue pelas mãos do grande comunicador Kalil Filho. Com o sucesso desta música, chegou ainda a participar duas vezes do programa Jovem Guarda de Roberto Carlos.

Sua carreira acabava de "decolar" e seu empresário formava um novo trio de cantores populares de sucesso, viajando por todo o Brasil: Nelson Ned, Antonio Marcos e Cláudio Fontana. A consolidação do sucesso como cantor de Cláudio Fontana se deu, entretanto, quando passou a fazer parte do quadro de maior sucesso do comunicador Sílvio Santos na TV Globo, “Os galãs cantam e dançam aos domingos”, ao lado de outros cantores como: Paulo Sérgio, Antonio Marcos, Wanderley Cardoso, Tony Angely, Ari Sanches, Djalma Lúcio, Jerry Adriani, Arthurzinho e Paulo Henrique, entre outros.

Nas décadas de 70 e 80, fez muitos sucessos como compositor, além de participar de Festivais Internacionais, como por exemplo: o Festival Internacional de La Canción, de Piriápolis, no Uruguai, onde participou diversas vezes. A primeira vez foi com a canção Se Jesus fosse um homem de cor, defendida pelo cantor, hoje ator Tony Tornado, em 1973.

Em 1975, mais uma vez participava como autor e de parceria com Antonio Marcos, com a canção Amor pela primeira vez, defendida pelo cantor Cláudio Roberto, conseguindo o quarto lugar. Em 1976, a cantora Sonia Maia, colocaria a canção Vamos caminhar juntos em primeiro lugar, indo assim parar nas mãos do compositor o troféu do XI Festival Internacional de La Canción de Costa a Costa. No I Festival da Canção do Panamá (1976), com a canção Que seas feliz defendida e interpretada pela cantora brasileira Carmen Silva, Cláudio Fontana conseguiu a terceira colocação.

Foi líder do Grupo Chocolate ao lado da esposa e dos dois filhos. Atualmente continua compondo, residindo no bairro do Brooklin, na cidade de São Paulo.

Fontes: Clube Di Giorgio - Entrevistas - Cláudio Fontana; MySpace - Cláudio Fontana; Wikipédia.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Durval Ferreira

Durval Ferreira (Durval Inácio Ferreira), instrumentista, arranjador e compositor, nasceu no Rio de Janeiro em 26/1/1935, e faleceu na mesma cidade em 17/6/2007. Começou a aprender violão com a mãe, que tocava bandolim, e desde então interessou-se por música, estudando sozinho.

Mais tarde se aperfeiçoaria no contato com músicos como João Donato, Luís Eça, Johnny Alf, Cannonball Adderley, Herbie Mann, Tom Jobim e outros.

Em 1958 fez sua primeira composição, Sambop (com Maurício Einhorn) gravada dois anos depois por Claudete Soares no LP Nova geração em ritmo de samba (Copacabana). Em 1959 apresentou-se pela primeira vez em público no festival de bossa nova realizado no Liceu Franco-Brasileiro, do Rio de Janeiro, e em seguida em espetáculo da Faculdade de Arquitetura; nessa época, organizou seu primeiro conjunto e acompanhou a cantora Leny Andrade.

Em 1962 integrou o conjunto de Ed Lincoln e, como guitarrista, tocou no Sexteto Bossa Rio, de Sérgio Mendes, durante o Festival de Bossa Nova, do Carnegie Hall, de Nova Iorque, EUA. Três anos depois foi violonista do conjunto Tamba Trio em gravações, participando ainda do conjunto Os Gatos, com o qual gravou o LP Aquele som dos Gatos (Philips), e, em 1966, Os Gatos (Philips),incluindo sua composição E nada mais (com Lula Freire).

Compôs a trilha sonora de Estranho triângulo, direção de Pedro Camargo, e participou, em 1968, do III FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, com a música Rua d'Aurora (com Fátima Gaspar e Tibério Gaspar).

Tem inúmeras composições gravadas por artistas brasileiros e norte-americanos, destacando-se Batida diferente (com Maurício Einhorn), gravada por Roberto Menescal e seu Conjunto, na Elenco, pelo Tamba Trio, na Philips, e com várias outras gravações no Brasil e exterior; Tristeza de nós dois (com Maurício Einhorn e Bebeto), gravada em 1962 pelo conjunto de Sérgio Mendes e também com inúmeras gravações: Estamos aí (com Maurício Einhorn e Regina Werneck), 1963, gravada por Leny Andrade, na Odeon; Nuvem, com o mesmo parceiro, gravada pelo conjunto Os Gatos, de Eumir Deodato, na Philips.

Sua composição com Maurício Einhorn e Hélio Mateus, Avião, foi uma das últimas gravações do cantor Agostinho dos Santos, antes de sua morte em acidente aéreo.

Participou, como jurado, do III e IV FIC, produziu as vinhetas da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, sozinho (FM) e em parceria com Orlandivo (AM). Foi diretor artístico da CID.

Fontes: CliqueMusic; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Fábio Júnior

fabio junior

Fábio Júnior (Flávio Airosa Correia Galvão), cantor, compositor e ator, nasceu em 21/11/1953 em São Paulo, SP. Oriundo do bairro do Brooklin, sua mãe era professora de piano e seu pai, motorista de taxi. Ainda adolescente, começou a trabalhar, junto com os irmãos, numa banca de jornal que o pai, então tinha, para ajudar a família. Nessa época, entregava revistas e jornais na casa dos fregueses.

Seu primeiro emprego, depois da banca do pai, foi numa loja de departamentos na seção de crediários e depois fez transporte escolar. Esses empregos serviam somente para seu sustento, mas o sonho de se tornar cantor sempre o acompanhou e nada lhe dava mais prazer do que as conversas na cozinha com o “véio” Galva, como se refere a seu pai, e os acordes que eles tocavam no primeiro violão, presente do pai. A música sempre foi sua grande paixão.

Nos anos 1960, junto com os irmãos formou um conjunto que tocava no programa do Ed Carlos, a Mini-Guarda, no auge da Jovem Guarda. O nome do grupo era “Os Namorados”, depois passou a se chamar Bossa 4 e finalmente Arco-Íris. Com o grupo chegou a se apresentar no programa do Chacrinha como calouros. Com o fim da Mini-Guarda, começou a se descobrir ator. Aos 13 anos passou a fazer teleteatro ao lado de Cacilda Becker e na TV Cultura, atuou no episódio “Um pássaro em meu ombro”, ao lado de Etty Frazer e Paulo Autran. Porém, eram pequenos papéis e por isso mesmo Fábio nunca deixou de cantar e compor.

No início da década de 70, apresentou-se como cantor mirim no programa “Mini-guarda”, da TV Bandeirantes de São Paulo, cantando sucessos da Jovem Guarda. Participou, também, do programa Hallelluyah, ao lado de Sílvio Brito, na TV Tupi da capital paulista. Nos anos de 1974 e 1975, passou a gravar discos em inglês com o nome artístico de Mark Davis.

Tendo começado como cantor, estourou como ator, inicialmente em discretas participações em novelas na TV Globo, como “O feijão e o sonho”, de 1969 (aos 16 anos), depois em 1976, já com o pseudônimo de Fábio Jr., para não ser confundido com o ator Flávio Correia, passou a atuar como ator em novelas como “Pai Herói, de 1976, “Nina”, de 1977, até tornar-se sucesso nacional com o seriado “Ciranda, cirandinha”, de 1978 e a novela “Cabocla”, de 1979.

Nesse ano marcou presença no cinema nacional com sua interpretação no filme “Bye Bye Brasil”, de Cacá Diegues. Seu primeiro sucesso foi Pai, composição própria, gravada no LP de 1979 e incluída na trilha sonora da novela “Pai Herói”.

Em 1980, obteria o seu segundo êxito como cantor e compositor com a música Vinte e poucos anos. Firmado como cantor romântico, fez sucesso também com Eu me rendo, de sua autoria e lançada em 1981, e O que é que há, em parceria com Sérgio Sá, lançada no ano seguinte. Por essa época, gravou o clipe Busca, com Roberto Carlos e apresentou-se no programa do Chacrinha cantando Seu melhor amigo. Fiel ao seu estilo romântico manteve-se em atuação ao longo da década de 1990, sempre com sucesso.

Em 1995, consagrou o sucesso Alma gêmea, de Peninha, emocionando o público ao cantá-lo no programa de fim de ano da TV Globo, comandado por Roberto Carlos. Em 1996, no programa de fim de ano do apresentador Fausto Silva, o Faustão, voltou a emocionar a platéia com esse sucesso.

Em 1997, seu CD Ao vivo, traria nova gravação para Alma gêmea e Pai, também regravou, com êxito Esses moços (Pobres moços), de Lupicínio Rodrigues, e, em 1998, Café da manhã, da dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Em 1999, lançou um CD especial de natal, intitulado Contador de estrelas, cujas músicas, na sua maioria, são parcerias suas com Marinho Marcos, irmão do falecido cantor Antonio Marcos. No ano seguinte, teve o seu sucesso Vinte e poucos anos, regravado pelo grupo de rock Raimundos. Além da Som Livre gravou também na CBS e na BMG. Por essa época, manteve um programa semanal de variedades, na TV Record de São Paulo.

Em 2001, a Som Livre relançou em CD três de seus discos do final dos anos 1970 e início dos anos 1980, trazendo sucessos como Pai herói, Quero colo, Vinte e poucos anos e O que é que há?.

Em 2002 gravou seu primeiro trabalho acústico, no qual interpretou, entre outras, a clássica Pai, além de inéditas como Em cada amanhecer, Minha outra metade, Coração dividido e Seu melhor amigo. Na ocasião, correu o país apresentando o repertório do disco. Em 2002, recebeu o Prêmio Tim como melhor cantor popular.

Na primeira metade de 2003, lançou seu 21º disco Fábio Jr. Ao Vivo, CD duplo ao vivo, com releituras de seus maiores sucessos em versões voz e violão, em que se destacam Coração dividido, Enrosca e a consagrada Pai. O disco foi apresentado em show no ATL Hall, no Rio de Janeiro. Nesse período, participou do programa “Ensaio geral”, apresentado no canal Multishow, falando de sua vida e carreira. Nesse mesmo ano, lançou seu primeiro DVD, com destaque para Minha outra metade.

Em 2004, o artista, entre diversos shows e apresentações na TV, apresentou show, com casa lotada no Claro Hall. Em 2005, voltou ao topo das paradas de sucesso com a música Alma gêmea, de Peninha, tema da novela homônima da TV Globo, de grande audiência. Em novembro do mesmo ano, a Sony&BMG lançou a caixa Mais de vinte e poucos anos, incluindo um DVD de um show do cantor em 2003 e 5 CDs do cantor, 3 de sucessos, um de raridades e um em espanhol.

Em menos de três meses, a gravadora comemorou a marca de oito mil caixas vendidas, tendo em vista que o luxuoso pacote não saiu a um preço popular. Na caixa, a presença de sucessos notórios da carreira de Fábio, passando por inéditas e raridades como gravações da época em que ele usava o pseudônimo de Mark Davis e de quando cantava em grupos como o Uncle Jack ou Os Namorados.

Em fevereiro de 2006, o cantor estreou o show Mais de 20 e poucos anos, com 2 noites de casa lotada no Claro Hall, (RJ), num total de cerca de seis mil pessoas.

Fábio Júnior é pai da também atriz Cleo Pires, fruto do casamento de Glória Pires. É também pai de Krizia, Tainá e Filipe Galvão, frutos do seu casamento com Cristina Karthalian. Teve um casamento relâmpago com a atriz Patrícia de Sabrit que só durou 3 meses.

Casou-se pela sexta vez no dia 1 de setembro de 2007 com a modelo Mari Alexandre.

Fontes: Dicionário da MPB; DSL MUSIC: Fábio Júnior; Wikipédia.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Leo Jaime

Leo Jaime (Leonardo Jaime), cantor, nasceu em Goiânia (GO), em 23 de abril de 1960. Iniciou a carreira em 1981, cantando no irreverente conjunto carioca de rock João Penca & Seus Miquinhos Amestrados.

Ainda com o conjunto, participou do LP Cantando no Banheiro, de Eduardo Dusek, cujo maior sucesso foi sua composição Rock da cachorra. Foi ele, que indicou um rapaz de classe média carioca chamado Cazuza ao Barão Vermelho.

No ano de 1983 deixou o grupo para seguir carreira solo. No ano seguinte, assinou com a CBS e lançou seu primeiro LP Phodas C, cujo produtor foi o português Johnny Galvão. Duas faixas do disco foram censuradas: Ora bolas e Sônia, esta última versão de Léo para Sunny, sucesso de Chris Montez.

No ano de 1985 gravou o LP Sessão da Tarde, do qual se destacou o sucesso A fórmula do amor. Outro destaque foi a faixa Solange, versão para So lonely, do grupo pop inglês The Police. A canção era dedicada à censora Solange Hernandez, que havia cortado canções de seu disco anterior.

Participou também do disco de estréia do Ultraje a Rigor, Nós vamos invadir a sua praia e ainda em 1985, trabalhou nos filmes "Rock estrela", de Leal Rodrigues, e "Sete Vampiras", de Ivan Cardoso, atuando em ambos como ator e participando das trilhas sonoras. No ano seguinte lançou, também pela CBS, o disco Vida difícil.

Em 1988 lança o álbum Direto do meu coração pro seu, que incluia a canção tema da novela Bambolê da Globo, Conquistador barato, um dos seus maiores hits. Nesse mesmo ano participa atuando na novela Bebê a bordo da Rede Globo.

Passa anos sem gravar novo disco, por conta da gravadora Warner que também não o liberava. A pendenga termina em 1995 com a gravação do disco Todo Amor, do qual se destacou a faixa Preciso dizer que te amo.

Em 2001, como ator, fez parte do elenco do musical "Victor ou Victória", ao lado de Marília Pera, permanecendo em cartaz até o ano de 2002.

No ano de 2005 lançou o CD Rock Estrela, no qual incluiu Rock estrela, Gatinha manhosa (Roberto e Erasmo), Preciso dizer que te amo (Dá, Bebel Gilberto e Cazuza), Marcianita (tema da novela Começar de Novo, da Rede Globo), a versão Sônia e A lua e eu (Cassiano e Paulo Zdan).

Neste mesmo ano, ao lado de Ritche, Paulo Ricardo, Kid Vinil e Leoni, apresentou o show "Geração 80", no Claro Hall, no Rio de Janeiro. O show também passou por Fortaleza, Rio Branco e São Paulo, onde lotou o DirecTV Hall, seguindo até o ano de 2007.

Fonte: Léo Jaime - Biografias - Scalla FM 96,5

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Zé Menezes

Zé Menezes (José Menezes França), violonista, nasceu em Jardim (CE) em 6/9/1921. Começou a tocar profissionalmente aos 8 anos, quando ainda explorava o cavaquinho, em Juazeiro do Norte (CE).

Aos 11 anos era instrumentista da banda municipal, e trabalhou durante algum tempo como músico de cinema e bailes. No final dos anos 30 mudou-se para Fortaleza, onde trabalhou na Ceará Rádio Clube como violonista.

Em 1943 foi para o Rio de Janeiro a convite de César Ladeira, que o ouvira tocar em Fortaleza. Na então capital federal foi contratado da Rádio Mayrink Veiga, onde conheceu o sucesso como solista graças aos dois programas semanais que apresentava, tocando violão, cavaquinho, viola, guitarra, bandolim, violão tenor e banjo.

Em 1947 foi para a Rádio Nacional, onde tocou ao lado de Garoto. Como compositor, sua primeira música gravada foi Nova ilusão (parceria com Luís Bittencourt), pelo conjunto Os Cariocas.

Outros de seus sucessos foram Não interessa não, com Luís Bittencourt, gravado por César Ladeira e Heleninha Costa, Tudo azul, na interpretação de Zezé Gonzaga, Cinzas, cantada por Ernani Filho, Pau-de-arara, baião gravado por Carmélia Alves e outras composições, sempre em parceria com Luís Bittencourt.

Gravou vários discos como solista, alcançando o sucesso com suas interpretações de Copacabana (João de Barro e Alberto Ribeiro) e Um domingo no jardim de Alah (Lírio Panicali).

Viajou pela Europa com o Sexteto Radamés Gnattali em 1959, e formou o grupo Velhinhos Transviados, que gravou 13 LPs. Em 1995 lançou o CD Chorinho in Concert e em 1998 foi a vez de Relendo Garoto, só com músicas do violonista paulista com quem tocou com muito sucesso na década de 40.

Homem dos Mil Instrumentos

Chamá-lo de homem dos mil instrumentos nem chega a ser exagero. O cearense de Jardim, nascido em 1921, toca praticamente todos os de corda. Já atuou em dupla com o virtuose do violão Garoto durante o período áureo da Rádio Nacional, integrou o Quinteto do rigoroso Radamés Gnattali e reforçou os primeiros discos de Roberto Carlos tocando guitarra. Fez até a música de abertura do programa Os Trapalhões.

Onipresente nos bastidores de várias gerações (e estilos) da MPB, Zé começou muito cedo em um cavaquinho de uma corda só. Aos oito anos exibiu-se para o lendário Padre Cícero tocando sua composição Meus Oito Anos. Aprendeu requinta (um clarinete uma quinta acima), escalou o violão, o bandolim, o violão-tenor (quatro cordas) e não parou mais.

Ao lado de Radamés ao piano (e Vidal, baixo, Luciano Perrone, bateria, Chiquinho, acordeom), atuou com alguns dos principais intérpretes nacionais, mas nunca renunciou a sua assinatura pessoal. Compôs o samba-canção modernista Nova Ilusão (com Luiz Bittencourt), que se tornaria prefixo da primeira fase do grupo vocal Os Cariocas, em 1948, e também Comigo é Assim, outro sucesso do grupo (da mesma dupla) que Miúcha e Tom Jobim regravariam em 1977. Outras composições suas conseguiram projetar-se como Mais uma Ilusão, na voz de Nuno Roland, Castigo por Gilberto Milfont e Pau-de-Arara por Carmélia Alves. Seu estoque de choros instrumentais também é expressivo: Sereno, Vitorioso, Encabulado, Caititu, entre outros.

Aos 11 anos, músico de banda em Juazeiro, foi descoberto por César Ladeira quando tocava na Ceará Rádio Clube, em 1943. Contratado pela Rádio Mayrink Veiga carioca, ele passaria mais tarde para a Nacional onde se apresentou em dupla com Garoto. Trabalhou ainda com o tecladista Djalma Ferreira no conjunto Milionários do Ritmo, excursionou pela Europa a bordo do Sexteto de Radamés Gnattali (que começou como quarteto e chegou a Orquestra Brasileira de Shows com Zé, Garoto e Bola Sete nas cordas).

Gravou treze discos com o bem-humorado grupo de estúdio Velhinhos Transviados, que "envelhecia" (e envenenava com Menezes na guitarra) por meio de uma formação de bandinha do interior os sucessos das paradas, incluindo rock e derivados. Sua enorme carreira discográfica, no entanto, tem poucos solos como os dois LPs de dez polegadas registrados na Sinter no início dos 50 (Dançando com Zé Menezes, A Voz do Violão) e os mais recentes CDs Chorinho in Concert, na CID, de 1995, e Relendo Garoto, produzido por Pelão em 1998, no qual ele realiza o velho sonho do parceiro que desejava ver suas músicas reintepretadas por orquestra. E de quebra por um homem-orquestra, o gênio modesto Zé Menezes.

Tárik de Souza - ENSAIO - 22/9/1998

Fontes: ClicMusic; SESC-SP MPB.

Luís Bittencourt

Luís Bittencourt (Luís Gonzaga Bittencourt), compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 6/5/1915. O pai, Antônio Lourenço Bittencourt, pianista que acompanhava filmes mudos, ensinou-lhe as primeiras noções de música.

Iniciou a carreira em 1930, participando de programas na Rádio Educadora do Brasil (hoje Tamoio) e também do programa Horas do Outro Mundo, de Renato Murce, na extinta Rádio Philips.

A partir de 1935, passou a dedicar-se profissionalmente à música, integrando a orquestra do Cassino da Urca. De 1936 a 1960, participou como violonista das orquestras da Victor e da Rádio Nacional. Em 1937, sua composição Lua triste (com Leonel Azevedo) foi gravada na Odeon por Sílvio Caldas.

Como instrumentista, atuou em conjuntos famosos, como o Regional de Dante Santoro, o de Benedito Lacerda, Conjunto Regional Victor, Conjunto Regional Guanabara, Regional Rogério Guimarães, além das orquestras das gravadoras Sinter, Musidisc e Continental.

Como compositor, tem cerca de 130 músicas gravadas, entre as quais Nova ilusão (com José Menezes), que fez sucesso em 1948 com Os Cariocas, Aquelas palavras (com Benny Woldoff), de 1945, Casadinhos (com Tuiú), de 1945, e A grande verdade (com Marlene), de 1948.

De 1950 a 1965, foi diretor musical e artístico de várias gravadoras, entre as quais a Sinter e a Musidisc, e de 1967 a 1975 exerceu cargos na Ordem dos Músicos do Brasil. Desde 1961, integra a Orquestra Sinfônica Nacional, do Ministério de Educação e Cultura.

Fontes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Barnabé

Barnabé (João Ferreira de Melo), cantor e compositor (Botelhos MG, 08/12/1932 - São Paulo SP, 13/09/1968), criado no Paraná, trabalhou na roça e na construção de estradas.

Ainda adolescente, juntou-se aos artistas de um parque de diversões, apresentando-se em circos e cinemas como Nhô Peroba, que tocava violão e contava piadas. Levado para São Paulo pela dupla Tonico e Tinoco, passou a participar dos programas de rádio Na Beira da Tuia e Peru que Fala.

Gravou seu primeiro disco como Barnabé em 1965, na Continental, obtendo sucesso imediato. Seu humor ingênuo e espontâneo, misturando piadas e músicas caipiras bem-humoradas, como Sanfona da véia (Brinquinho e Brioso), Casamento do Barnabé (Capitão Furtado), O esculhambeque (paródia do sucesso da Jovem Guarda O calhambeque), rendeu ainda mais três LPs antes de sua morte, em 1968.

A partir de 1970, seu irmão caçula, José Ferreira de Melo (Ribeirão do Pinhal PR, 09/12/1949) passou a usar o mesmo nome artístico e lançou ainda nesse ano seu primeiro disco pela Continental. Nessa gravadora, o segundo Barnabé gravou mais de oito LPs e, entre suas composições, estão Bailinho bom (com Palmar) e Ponto negro (com M. Nascimento), sucesso de Chitãozinho e Xororó.

Publicou três livros de piadas editados pela Luzero. Na década de 90 continuou viajando por todo o Brasil e apresentando seus shows em circos, praças e rodeios.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Baianinho

Baianinho (Eládio Gomes dos Santos), compositor, nasceu em Salvador, Bahia, em 03 de setembro de 1936. Começou em 1952 na banda de música da escola municipal, onde estudou, tocando clarineta e requinta. Em 1956 mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar no bairro de Cavalcanti.

Juntamente com outros músicos, fundou em 1959 o G. R. E. S. Em Cima da Hora, integrando a ala dos compositores. Em 1963, 1964 e 1973, a escola desfilou com samba-enredos de sua autoria, respectivamente Inssurreição pernambucana, Apoteose econômica e financeira do Império (ambos com Zeca do Varejo) e O sabor poético da literatura de cordel.

Em 1971 fez sucesso com o samba É baiana (com Fabricio da Silva, Ênio Santos Ribeiro e Miguel Pancrácio), gravado por Clara Nunes na Odeon.

Em 1972 integrou o conjunto Os Cinco Só e no ano seguinte apresentou-se como cantor no Teatro Opinião, do Rio de Janeiro.

Obras

É baiana (c/Fabrício da Silva, Ênio Santos Ribeiro e Miguel Pancrácio), samba, 1971; O sabor poético da literatura de cordel, samba-enredo, 1973.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira, Art Editora - PubliFolha.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Ivon Curi

Ivon Curi

Ivon Curi (Ivon José Curi), cantor e compositor, nasceu em Caxambu MG, em 5/6/1928 e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 24/6/1995. Irmão de locutores da Rádio Nacional Alberto e Jorge Curi —, começou a cantar, por volta de 1944, sambas-canções e cançonetas francesas em festas e shows, depois na rádio da sua cidade.
No Rio de Janeiro, teve sua primeira oportunidade através de Caribé da Rocha, que o contratou como crooner da Orquestra Zacarias, do Copacabana Palace Hotel, onde entrou em contato com os maiores astros da época. Era então muito influenciado pelo cantor francês Jean Sablon, criador do sucesso J’attendrais.
Em 1947 conseguiu seu primeiro contrato com a Rádio Nacional, para apresentar-se como convidado nos programas de Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira e Ângela Maria. Transferiu-se em seguida para a Rádio Tupi.
Em 1949 gravou em dupla com Carmélia Alves, pela Continental, o baião Me leva (Hervé Cordovil e Rochinha). Em 1950 participou do filme Aviso aos navegantes, de Watson Macedo, e no ano seguinte apareceu em Ai vem o barão, do mesmo diretor, atuando ainda em 1952 em Barnabé, tu és meu, de José Carlos Burle. Gravou seu primeiro disco na Continental, com as músicas La vie en rose e Nature boy (Eden Abhez), seguindo-se C’est si bon (Charles Trenet), Obrigado (sua autoria), Ta fartando coisa em mim (com Humberto Teixeira), 1950, Humanidade (sua autoria), Margarida (Humberto Teixeira e Copinha), 1952, e Orquídeas ao luar (Gus Khan, Vincent Youmans e Eliscu, versão de Cristóvão de Alencar), 1952. Nessa época modificou seu estilo, passando a fazer mímicas e piadas, tornando-se cançonetista, com repertório nordestino.
Em 1953 lançou, pela Victor, Amor de hoje (Ari Monteiro e Bruno Marnet), música que havia interpretado no filme É fogo na roupa (Watson Macedo, 1952). Gravou Baião das velhas cantigas (Jair Amorim), Caxambu (Zé Dantas e David Nasser), Farinhada (Zé Dantas) e o O xote das meninas (Zé Dantas e Luiz Gonzaga), além da valsa de sua autoria João Bobo e da canção israelita Beija- flor (versão de Caribé da Rocha).
Depois de excursionar pelo Brasil, fez tournée pela Europa em 1956-1957, apresentando-se em Portugal, onde adotou pela primeira vez o estilo one-man-show e foi considerado o melhor intérprete de música brasileira. Em 1961 casou com lvone.
Com o aparecimento da Jovem Guarda, afastou-se temporariamente da vida artística, reaparecendo em 1971 com o show Ivon Curi em todos os tempos, no Teatro Casa Grande, onde se apresentou como show-man e fez uma retrospectiva de sua carreira, lançando então o LP de mesmo nome. Seus maiores sucessos foram João Bobo, Tá fartando coisa em mim, Retrato de Maria (sua autoria), Farinhada, Escuta (sua autoria), Casar é bom (com Meira Guimarães), Amor naquela base (Moura Júnior e Zé Araújo) e Me leva.
Em 1977, a gravadora Continental lançou o LP Ivon Curi, volume 26 da serie Ídolos MPB. Em 1984 voltou a vida artística, festejando 40 anos de carreira, em 1987, com o disco Ivon Curi ontem e hoje. Em 1993, além de ter comandado o programa Show da Manchete, estreou o espetáculo A França e quinze saudades, em que interpretou canções francesas e que deu origem ao disco Douce France, seu último trabalho solo. Sua última gravação foi a faixa Forró do beliscão (Ari Monteiro, João do Vale e Leoncio), incluida, no início de 1995, no disco João Batista do Vale (BMG), tributo ao compositor João do Vale.

Louro

Louro (Lourival Inácio de Carvalho), instrumentista e compositor, nasceu em Niterói RJ, em 22/4/1894, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 17/6/1956. Residindo no Barreto, em Niterói, revelou desde cedo interesse pela música. Pelos oito anos, com caixa-de-fósforos, improvisou um precário instrumento de sopro, executando os sucessos da época. Pouco depois, os pais arranjaram-lhe um emprego na fábrica de tecidos local, a Companhia Manufatora Fluminense.
Ali o garoto, conhecido por Louro, devido ao alourado dos cabelos, entrou para a banda da fábrica, chamada Centro Musical Fluminense, onde começou a estudar música. Em pouco tempo aprendeu a tocar clarineta, passando a apresentar-se com a banda em coretos ou festas públicas, sendo sua música de estréia o dobrado Coronel Barbedo. Progredindo rapidamente em seus conhecimentos musicais, logo que deixou a banda foi procurado por um senhor de Rio Bonito RJ, que lhe ofereceu o posto de regente da banda Euterpe Rio-Bonitense. Reorganizando-a, com pouco mais de 16 anos regia 70 músicos profissionais, tendo ocupado o posto até que uma desavença com o tocador de pratos o levou a abandoná-la.
Retornou a Niterói, onde logo recebeu convite para ser mestre da banda do Grupo Vinte e Um de Abril, de Capivari, perto de Campos RJ. Datam dessa época suas variações sobre o tema popular do Urubu malandro, que ficariam famosas. Deixando a banda mais tarde, passou a atuar em festas e bailes no Rio de Janeiro e Niteroi, além de cinemas e circos, acabando por se tornar popular.
Em 1913, resolveu gravar discos (conhecidos como “chapas”) para gramofone. Dirigiu-se a Casa Edison com sua clarineta e ofereceu-se para uma gravação, o que começou a fazer com a ajuda de Chiquinha Gonzaga. Formou o Grupo do Louro para acompanhá-lo, e suas gravações do Urubu malandro e de Moleque vagabundo, esta de sua autoria, fizeram grande sucesso no Rio de Janeiro.
Em 1919 apresentou-se com seu grupo musical no Teatro João Caetano, durante as representações de A juriti (Viriato e Chiquinha Gonzaga) e As pastorinhas (Abadie Faria Rosa e Paulino Sacramento). Dois anos depois, tocavam na sala de espera do Teatro Carlos Gomes executando os sucessos da época.
Freqüentando todos os anos as festas da Penha realizadas sempre no mês de outubro, em 1925 ali encontrou outro clarinetista famoso, o Alfredinho. Estabeleceram uma disputa, e, para demonstrar o fôlego, tocou sua composiçao Choro do galo subindo e descendo os 365 degraus da escadaria, sem interromper a música.
Dois anos mais tarde resolveu ir à Europa, reunindo dois cavaquinhos, dois violões, um pandeiro e um ganzá. Depois de tocar na Bahia e em Pernambuco, apresentou-se em Portugal, atuando no Teatro Olímpia, de Lisboa. Retornando ao Brasil, em 1931, gravou na Victor seu choro Osvaldina, e, tocando sax-alto e clarineta, integrou várias orquestras.
A 9 de Janeiro de 1945 o cantor e radialista Almirante realizou na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, um programa sobre o artista e seu grupo, contando sua vida e relembrando seus sucessos na série A Historia das Orquestras e Músicos do Rio, dirigida pelo proprio Almirante.

Aldacir Louro

Aldacir Louro

Aldacir Louro (Aldacir Evangelista de Mendonça), compositor, cantor e instrumentista nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 22/4/1926 e faleceu em15/6/1996. Nascido no bairro de Botafogo, viveu em diversos outros subúrbios cariocas, freqüentando desde criança as escolas de samba Unidos da Tijuca, Depois te Explico e Braço a Braço, onde tocava tamborim.

Bom intérprete de sambas, começou como apresentador de músicas, contratado por compositores para mostrar produções destes a cantores. Como essa atividade rendesse pouco, decidiu tentar a sorte como autor, lançando em 1946 o samba Onde vamos morar (com Antônio Valentim dos Santos), gravado por Zilá Fonseca. Na época, a música rendeu (cerca de 20 cruzeiros) bem mais do que conseguia como apresentador.

Embora não tivesse estudado música, iniciou assim uma carreira de compositor, cujo maior sucesso foi o samba Recordar (com Aluísio Marins e Adolfo Macedo), que, premiado em concurso carnavalesco de 1955, se tornou peça antológica e obrigatória em muitos Carnavais. Outros êxitos foram o samba Cabeça prateada (com Edgar Cavalcanti e Anício Bichara) e a marcha Trrim-Trrim (com Santos Garcia), ambos lançados no Carnaval de 1956.

Como cantor, atuou em rádio e televisão, apresentando-se na década de 1950 em vários programas das rádios Nacional e Mayrink Veiga, exibindo-se com ritmistas e passistas. Na TV Globo carioca apresentou-se com sua escola de samba. De 1960 a 1973 participou de programas da TV Tupi, do Rio de Janeiro: Bibi ao Vivo e Programa Flávio Cavalcanti, entre outros.

Obras: Cabeça prateada (c/Edgar Cavalcanti e Anício Bichara), samba, 1955, Garota sapeca (c/Fernando Martins), marcha, 1951; Onde vamos morar (c/Antônio Valentim dos Santos), samba, 1946; Recordar (Aluísio Marins e Adolfo Macedo), samba, 1954; Refúgio (c/Linda Rodrigues), bolero, 1959; Trrim-Trrim (c/Santos Garcia), marcha, 1955.

Alcides Gerardi

Alcides Gerardi (João Alcides Gerardi) nasceu no Rio Grande/RS em 15.05.1918. Cantor e compositor, ainda criança mudou de Porto Alegre/RS para o Rio de Janeiro/RJ, onde terminou o curso primário e começou a trabalhar com o pai. Continuou seus estudos, trabalhando ao mesmo tempo no comércio até 1935, quando começou a carreira de cantor, como crooner numa orquestra de dancing. Na mesma época tentou o rádio, candidatando-se como calouro num programa da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, mas não conseguiu ser contratado.
Em 1939 atuou no conjunto Namorados ao Luar como vocalista, época em que sua voz começou a se destacar. Nesse ano gravou, em edição particular, o samba de Nelson Cavaquinho Não faça vontade a ela. Em 1941 foi convidado a formar o conjunto Os Três Marrecos, com Marília Batista e seu irmão Henrique, de curta carreira.
Três anos depois, como crooner da orquestra de danças de Simon Bountman, foi convidado para trabalhar na Rádio Transmissora, pelo seu diretor Arnaldo Sampaio. Com a música Lourdes (George Brass e Mário Rossi), gravou comercialmente pela primeira vez, em 1946, na Odeon. Três anos depois foi para a Rádio Tupi, onde ficou até 1953, quando se transferiu para a Rádio Nacional.
Em 1955 foi contratado pela Organização Victor Costa (depois extinta), tendo três anos mais tarde lançado sua primeira composição, Filha do coronel (com Irani de Oliveira), interpretada por ele mesmo, CBS. É letrista e em outras composições teve como parceiros principais Ernâni Campos, Othon Russo, Antônio Soares, Lázaro Martins e Nilo Barbosa.
Seus maiores sucessos como cantor foram as gravações de Antonico (Ismael Silva), Castelo de areia (Geraldo Jacques, Isaías Freitas e Moreirinha), Brotinho maluco (Aníbal Cruz) e E eu sem Maria (Alcir Pires Vermelho e Dorival Caymmi), pela Odeon, e Tudo foi ilusão (Laert Santos e Arcilino Tavares), pela CBS. Alcides morreu em 01.03.1978 por complicações decorrentes de um acidente de carro, quando voltava de um show pela Via Dutra.
Fonte: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 1977.

Capitão Furtado

Capitão Furtado (Ariovaldo Pires), compositor, nasceu em Tietê SP em 31/8/1907, e faleceu em São Paulo SP, em 10/11/1979. Sobrinho de Cornélio Pires, em 1928 foi levado pelo tio ao então diretor da Columbia, Wallace Downey, passando a trabalhar como seu secretário em 1929, em São Paulo SP
Em seguida, participou do programa inaugural da Rádio Cruzeiro do Sul, que estava sendo organizada por Wallace Downey, substituindo um artista que havia faltado, no papel de um fazendeiro caipira, tendo sido logo contratado.
Ainda em 1929 estreou como compositor, com a toada Coração, em parceria com seu conterrâneo Marcelo Tupinambá, gravada por Januário de Oliveira. Dois anos depois, colaborou como assistente no filme Coisas nossas, produzido e dirigido por Wallace Downey, e, em 1932, ano da Revolução Constitucionalista, adotou o pseudônimo de Capitão Prudêncio Pombo Furtado, depois abreviado para Capitão Furtado.
Em 1934, transferiu- se para a recém-inaugurada Rádio São Paulo junto com os componentes do programa Cascatinha do Genaro. A mudança foi ótima para todos, pois o programa aí alcançou sucesso absoluto. Em 1935 atuou como coordenador artístico do filme Fazendo fita, de Vitório Capelaro, em que foi incluída sua toada Coração. Nesta ocasião, conheceu a dupla Alvarenga e Ranchinho, convidando-os a participar do filme.
No ano seguinte, obteve o primeiro prêmio em um concurso de música carnavalesca organizado pela prefeitura de São Paulo com a marcha Mulatinha da caserna (com Martinez Grau). Com o dinheiro do prêmio foi para o Rio de laneiro RJ com Alvarenga e Ranchinho, levando um sucesso da dupla, a moda-de-viola Itália e Abissínia (com a dupla), e que seria gravada na Odeon. Visitou a Rádio Tupi, onde fez um programa improvisado com Alvarenga e Ranchinho, a convite do diretor artístico da emissora. Ouvidos por Assis Chateaubriand, os três foram contratados e passaram a se apresentar como a Trinca do Bom Humor, três vezes por semana.
Gravaram vários discos pela Odeon, os primeiros intercalando piadas com números musicais, como Futebol (moda-de-viola), Meu coração (rancheira), A baixa do café (toada). Com a atriz Jurema de Magalhães, gravou a poesia Adoração (Campos Negreiros), sendo apelidado por Tia Chiquinha (Sílvia Autuori) de “o caipira que fala com o coração”, slogan que adotou para sua carreira.
Ainda no Rio, foi assistir à prova automobilística Circuito da Gávea e um dos locutores passou-lhe o microfone, depois dos comentários. Improvisando versos humorísticos, imediatamente agradou o público, formando uma multidão de ouvintes junto ao palanque da Rádio Tupi. Ouvido pelo diretor da Victor, Mr Evans, foi contratado pela gravadora, lançando com a Trinca do Bom Humor o disco Liga dos bichos e Vida do Zé Luís (ambas com Alvarenga e Ranchinho).
Teve outros discos lançados pela Odeon em 1936, como Caipira em Hollywood, cateretê de sua autoria gravado em dupla com Alda Garrido, e a moda-de-viola Calango (com Alvarenga e Ranchinho), no qual a menina Gilda Magalhães contava anedotas. No ano seguinte, gravou na Victor Natal do sertão (Lucilia Guimarães Villa-Lobos e Luís Guimarães), com a participação de Tia Chiquinha e o Coro dos Apiacás, formado por crianças, entre os quais dois meninos que se tornariam famosos, Luiz Bonfá e Lúcio Alves.
Em 1939, seu amigo Palmeirim Silva inscreveu sua peça O tesouro do sultão no concurso promovido pelo Serviço Nacional de Teatro, sob o patrocínio do Ministério da Educação. Vencedora, a peça foi montada por Jardel Jércolis, com música de Radamés Gnattali, cumprindo temporada de sucesso no Teatro João Caetano, do Rio de Janeiro, e depois em outros Estados e países vizinhos. Nesse mesmo ano, retornou a São Paulo, onde se fixou definitivamente. Criou na Rádio Difusora o programa Arraial da Curva Torta, que revelou artistas como a dupla Tonico e Tinoco (batizada por ele), Blecaute e a futura apresentadora Hebe Camargo, que na época formava com sua irmã a dupla caipira Rosalinda e Florisbela.
Em 1940, Orlando Silva gravou na RCA Victor a valsa E o vento levou, de sua autoria, e Gilberto Alves gravou Linda flor que morreu (com Jota Soares). Durante a década de 1940, realizou numerosas versões de sucessos internacionais. Em 1948, em Salvador BA, dirigiu por algum tempo a Rádio Excelsior local. Voltou a São Paulo em fins de 1949 e, no ano seguinte, começou a trabalhar na Rádio Cultura.
De 1952 a 1956 voltou a atuar na Rádio Difusora, que deixou para coordenar programas de música caipira patrocinados pela Alpargatas. Passou a viajar por todo o Brasil para divulgar Roda de Violeiros, programa que promoveu o primeiro campeonato de amadores, reunindo 3.250 grupos de 512 cidades do país, e revelando diversas duplas de cantores.
Em 1963 foi para a Rádio Bandeirantes, de São Paulo, e aí permaneceu até 1966, quando se aposentou. Na época, sua marcha Mulatinha de caserna foi oficializada pelo então prefeito de São Paulo, Faria Lima, como hino do Carnaval paulista. Em 1967, embora aposentado, exerceu por algum tempo as funções de coordenador de música e versões da Editora Fermata, mas logo se afastou do meio artístico. CD : Ao Capitão Furtado — Marvada viola, 1997, Funarte/ Atração Fonográfica ATR 32019 (Série Acervo da Música Brasileira, n 2).

Arnaldo Pescuma

Arnaldo Pescuma, tenor e compositor, nasceu em 29/1/1903, em São Paulo/SP, e faleceu na mesma cidade em 13/1/1968. Em 1920 participou, como tenor, de uma companhia de óperas, que se apresentou em Recife/PE e Aracaju/SE; em 1923 aparecia como cantor de operetas no Teatro Boa Vista, de São Paulo, e, durante dez anos, em outros locais.
Em 1933 viajou para o Rio de Janeiro/RJ e assinou um contrato de seis meses na Rádio Mayrink Veiga. No filme Alô, alô, Brasil (1935, co-direção de João de Barro e Alberto Ribeiro), cantou a marcha de sua autoria Muita gente tem falado de você, com o conjunto Os Quatro Diabos (que, com ele, passou a se chamar Os Cinco Diabos).
Em 1935 voltou a São Paulo como contratado da Rádio Difusora, e no ano seguinte foi para Buenos Aires, Argentina, contratado pela Radio Belgrano. Em 1937, já em São Paulo, fundou a escola de canto Apebar. Quatro anos depois voltou a cantar ópera no Teatro Municipal, de São Paulo, onde mais tarde seria diretor de cena.
Gravou vários discos, destacando-se os que fez em dupla com Januário de Oliveira, com seis músicas premiadas no Carnaval paulista, entre as quais duas marchas de muito sucesso: Mulatinha da caserna (Martinez Grau e Capitão Furtado) e Paulistinha querida (Ary Barroso).

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Benil Santos

Benil Santos (Benil dos Santos), compositor, nasceu em Cabo Frio/RJ, em 20/11/1931. De família numerosa (22 irmãos), começou a trabalhar aos nove anos, numa farmácia. Com 19 anos, foi trabalhar na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro RJ, tendo sido depois locutor e produtor. Formou-se pela Faculdade de Ciências Econômicas do Rio de Janeiro como técnico de contabilidade.
Criou o programa Manhã de Grande Gala, na Rádio Mayrink Veiga, em 1958, ano em que passou a exercer a função de diretor artístico da RGE, permanecendo no cargo durante sete anos. Incentivado por Marijó, cronista do jornal carioca Última Hora, e por Héber Lobato, locutor e descobridor de talentos, começou a compor, tendo sua primeira composição gravada ainda em 1958, Noites cruéis com Raul Sampaio, seu parceiro mais constante.
Em 1960, compôs com Enrico Simoneti Canção de ninar mamãe, gravada por Gilberto Milfont na RGE. No mesmo ano, conheceu um de seus maiores sucessos, parceria com Raul Sampaio, Estou pensando em ti, gravada por Anísio Silva na Odeon. Em 1961, dois novos sucessos, parcerias com Raul Sampaio, Estou só e Lembranças gravadas por Miltinho na RGE. Em 1962, Roberto Luna gravou Fingimento; Miltinho, Confidência, estes na RGE e Gilvan Chaves, gravou na Victor Protesto (Praga de amor), parcerias com Raul Sampaio.
Em 1963, obteve o primeiro lugar no Festival de Música do Brasil, da TV-Rio, do Rio de Janeiro, com a música Distância (com Raul Sampaio), gravada por Miltinho e Rosana Toledo. Entre suas composições gravadas, destacam-se as marchas A serenata (com Raul Sampaio), de 1966, e Eu compro essa mulher (com Raul Sampaio e Ivo Santos), de 1967. Exerce também atividade de empresário artístico.
Algumas obras:
Canção de ninar mamãe (c/Enrico Simonetti), 1960; Confidência (c/Raul Sampaio), 1962; Distância (c/Raul Sampaio), 1963; Estou pensando em ti (c/Raul Sampaio), bolero, 1960; Estou só (c/Raul Sampaio), 1961; Eu compro essa mulher (c/Raul Sampaio e Ivo Santos), marcha, 1967; Fingimento (c/Raul Sampaio), 1962; Lembranças (c/ Raul Sampaio), 1961; Meu pranto rolou (c/Raul Sampaio), marcha, 1965; A serenata (c/Raul Sampaio), marcha, 1966; Protesto (Praga de amor) (c/Raul Sampaio), 1962.

Raul Sampaio

Raul Sampaio (Raul Sampaio Cocco), cantor e compositor, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim em 06 de julho de 1928. É filho de Fanny Sampaio Cocco e José Cocco. Foi aluno dos colégios Liceu Muniz Freire, Bernardino Monteiro e Escola Técnica de Comércio, todos em Cachoeiro.
Sua vida artística começou na ZYL-9, Rádio Cachoeiro, como solista do conjunto Dois Valetes e uma Dama. Em 1949 mudou-se para o Rio de Janeiro, dedicando-se ao comércio até 1952, quando passou a integrar o conjunto Trio de Ouro.
Sua primeira música de sucesso foi Guarda-chuva de pobre. Autor de mais de 200 composições musicais, teve como parceiros Herivelto Martins, Benil Santos, e outros. Raul Sampaio atuou na Rádio Nacional e, pela sua projeção no Rio de Janeiro, principalmente com as músicas Rio Quatrocentão e Rio eterna Capital, recebeu o título de Cidadão do Estado da Guanabara.
Recebeu o título de Cachoeirense Ausente em 1969. O título é a honra máxima de Cachoeiro. Só é concedido uma única vez por ano, ao cidadão nascido nesta cidade que, deixando sua terra, lá fora, tenha prestado relevantes serviços como foi torná-la mais conhecida no Brasil e no Mundo.
É o autor da letra e música do Meu pequeno Cachoeiro. A canção, depois interpretada por Roberto Carlos, em gravação do ano de 1969, é um dos grandes sucessos nacionais de todos os tempos. Outros sucessos de sua autoria: A carta (com Benil Santos), Canção da rua (c/Benil Santos), Estou pensando em ti (c/Benil Santos), Lembranças (com Benil Santos), Meu pranto rolou (com Benil Santos e Ivo Santos), Onde estás agora? (com Benil Santos), Quem eu quero não me quer (com Benil Santos), Revolta (com Nelson Gonçalves).

Buci Moreira

Buci Moreira, compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 1/8/1909 e faleceu em 1982. Neto da famosa Tia Ciata (em cuja casa, perto da Praça Onze, se reuniam pioneiros do samba), seu pai, Guilherme Eduardo Moreira, tocava violão e ele, desde pequeno, mostrou vocação para ritmista.
Em 1917, sem deixar sua casa em São Cristóvão, passou a viver também com outra família, no mesmo bairro, fazendo companhia a um menino da casa. Nessa época começou a estudar. Em 1922 foi morar com a avó, até a morte desta em 1924, e de 1925 a 1927 estudou na Escola Bom Jesus, na ilha de Paquetá.
Com a morte do pai em 1928, foi viver com os tios na Praça Onze, ingressando no Colégio Benjamim Constant. No ano seguinte desfilou pela única vez na hoje extinta escola de samba Deixa Falar.
Em 1930 foi descoberto na Praça Onze, por Francisco Alves, que gravou sua primeira música na Odeon, o samba Palhaço (com Nelson Gomes). Por essa época começou a atuar como ritmista em gravações na Odeon, formando dupla com Valdemar Silva e, depois, com Arnô Canegal.
De 1936 a 1940 desfilou (e era diretor de harmonia) na hoje extinta escola de samba Vê Se Pode, do morro de São Carlos. Em seguida trabalhou com o cineasta Moacir Fenelon, continuando a atuar como ritmista em gravações.
Em 1943 participou, com outros sambistas, do filme inacabado de Orson Welles Jangada. Em parceria com Arnô Canegal e Mutt, compôs o samba Anda, vem cá, gravado por Francisco Alves e Mário Reis e Não põe a mão, sua música mais conhecida, que ele mesmo, além de outros intérpretes, gravou com êxito na Star em 1951.
Outros sucessos seus foram Quem pode, pode e Por que é que você chora. Obras: Anda, vem cá, samba, 1932; Em uma linda tarde, samba, 1935; Não põe a mão (c/Mutt e Arnô Canegal), samba, 1951; Quem pode, pode (c/Haroldo Torres), samba, 1950.

Tito Madi

Tito Madi

Tito Madi (Chauki Maddi), compositor e cantor nasceu em Pirajuí/SP em 18/7/1929. Começou a interessar-se por música por influência do pai, tocador de alaúde, e dos irmãos, que tocavam violão e bandolim. Aos seis anos, dedilhava violão e aos dez já tocava e cantava nas festas do grupo escolar de Pirajuí.
Por essa época, criou, com os irmãos, o serviço de alto-falantes A Voz de Pirajuí e quando da inauguração da rádio local, foi chamado a colaborar, junto com os irmãos. Aos 18 anos já era um dos diretores da Rádio Pirajuí, onde fazia de tudo um pouco: era locutor, escrevia textos de programas, criava textos de publicidade e, de vez em quando, cantava.
Em 1949 compôs sua primeira música, Eu espero você, e no ano seguinte organizou, ainda na cidade natal, o conjunto de amadores Estudantes Alegres. Na mesma época, servindo no tiro-de-guerra, organizou dois shows musicais e desde então começou a se dedicar à música.
Durante dois anos, a partir de 1952, atuou como cantor na Rádio e TV Tupi, de São Paulo/SP, e em 1953 teve sua primeira composição gravada, a valsa Eu e você, interpretada pelo conjunto vocal Os Quatro Amigos, liderado por Sidney Morais, que depois dirigiu o conjunto Os Três Morais.
Em 1954 gravou Não diga não e Pirajuí (ambas com Georges Henri), pela Continental, com arranjo do maestro Luís Arruda Pais, recebendo por esse disco o título de Cantor Revelação do Ano. Transferiu-se para o Rio de Janeiro/RJ, ainda nesse ano, passando a cantar com o pianista Ribamar, no ano seguinte, em diversas boates cariocas, como Jirau, Little Club, Texas e Cangaceiro.
Por intermédio de Teófilo de Barros Filho, conseguiu um contrato com a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, e continuou gravando pela Continental, lançando, em 1956, Senhorita e Eu voltei, acompanhado pelos Garotos da Lua e As Três Marias.
Convidado, em 1957, para participar dos festejos de aniversário da Rádio Farroupilha, em Porto Alegre/RS, compôs lá uma música de inspiração local, Gauchinha bem querer, que gravou a seguir com Chove lá fora, composição de sua autoria que atingiu as paradas de sucesso e que lhe assegurou quase todos os prêmios de melhor compositor daquele ano, tendo recebido, entre outros, o Disco de Ouro oferecido pelo jornal carioca O Globo, medalhas dos Diários Associados e da Revista do Rádio, esta recebida diretamente das mãos do presidente Juscelino Kubitschek.
Chove lá fora, com o titulo It’s Raining Outside, destacou-se também nos EUA, tendo sido gravada por Della Reese e The Platters, conjunto norte-americano que lançou num LP (um milhão de cópias vendidas) duas outras músicas suas: Quero-te assim (I Wish) e Rio triste (Sad River), todas com letras em inglês de Buck Ramm.
Tendo rescindido, em 1956, o contrato com a Rádio e TV Tupi, passou a trabalhar como cantor independente e, em 1957, gravou Fracassos do amor (com Milton Silva) e Cansei de ilusões. Dois anos depois, quando gravou o LP Sua voz.., suas composições, deixou a Continental, transferindo-se sucessivamente para a Columbia (onde gravou cinco LPs até 1964), Odeon, onde gravou um de seus maiores êxitos, Balanço Zona Sul, RCA e Odeon novamente, onde gravou uma série de LPs de sucesso, A Fossa, em quatro volumes.
Entre os seus maiores sucessos destacam-se ainda Menina moça (Luís Antônio) êxito em 1964, Carinho e amor, Canção dos olhos tristes, Sonho e saudade, Amor e paz e Chove outra vez (com Romeu Nunes). Em 1987 fez temporada no restaurante Via Brasil, em New York, EUA. Gravou 34 LPs e 10 CDs, o último disco em 1996.
Letras e cifras:
Obras:
Amor e paz, samba, 1964; Balanço Zona Sul, samba, 1965; Cansei de ilusões, samba, 1957; Canto do engraxate, samba, 1957; Carinho e amor, samba, 1960; Chove lá fora, samba, 1957; Encontro no sábado (c/ Georges Henri), valsa, 1955; Eu e você, valsa, 1953; Fracassos de amor (c/Milton Silva), samba, 1957; Gauchinha bem-querer, samba, 1957; Não diga não (c/Georges Henri), samba, 1954; Olhe-me, diga-me, samba-canção, 1958; Pirajuí (c/Georges Henri), samba, 1954; Senhorita, valsa, 1956. CDs: Brasil samba-canção (c/Dóris Monteiro). 1996, Sony 479357; Tito Madi, 1996, Sony 866190.

Blecaute

Blecaute (Otávio Henrique de Oliveira) , cantor e compositor nasceu em Espírito Santo do Pinhal SP, em 05/12/1919, e faleceu no Rio de Janeiro, em 9/2/1983. Órfão de pai e de mãe, aos seis anos foi levado para São Paulo SP, onde trabalhou como engraxate e entregador de jornais.
Estreou como cantor em 1933, no programa de calouros A Peneira de Ouro, da Rádio Tupi, e oito anos depois começou a atuar na Rádio Difusora, adotando, por sugestão do Capitão Furtado, o nome de Black-Out, abrasileirado pela imprensa para Blecaute. Entre 1942 e 1943 foi para o Rio de Janeiro RJ, contratado pela Rádio Tamoio, atuando também na Mauá e Nacional.
Em 1944 participou como cantor do filme Tristezas não pagam dívidas (direção de José Carlos Burle e J. Rui) e gravou seu primeiro disco, com Eu agora sou casado (Cristóvão de Alencar e Alcebíades Nogueira). Obteve grande sucesso no Carnaval de 1949 com O Pedreiro Valdemar (Wilson Batista e Roberto Martins), mas o maior êxito de sua carreira ocorreria com o samba General da banda (Tancredo Silva, Sátiro de Melo e José Alcides), lançado no Carnaval do mesmo ano, que lhe valeu o apelido de "general da banda", com o qual passou a ser conhecido.
Consagrado como cantor de sucessos carnavalescos, destacou-se em 1951 com Papai Adão(Armando Cavalcanti e Klecius Caldas) e em 1952 com Maria Candelária (da mesma dupla). Dois anos depois, obteve grande êxito com Piada de salão e em 1955 com Maria Escandalosa (também dessa dupla), fazendo sucesso em 1959 com Chora, doutor (de J. Piedade, Orlando Gazzano e J. Campos).
Repetindo seu êxito nos carnavais, em 1963 destacou-se com o Samba do Iê-Iê-Iê (Estanislau Silva,William Duba e Rosa de Oliveira) e dois anos depois com Quero morrer no Rio, lançando em 1969 Bloco de Banana (de sua autoria), e em 1971 Teresinha Copa70 (Marli de Oliveira e Gatinho).
Além de cantor, também compôs algumas músicas, como Natal das crianças e Iansã, esta lançada no Carnaval de 1973. Gravou dois LPs, um pela Odeon, É para todo mundo cantar, e outro pela Polydor, Na boca do povo.
CDs: Carnaval - Sua história, sua glória, vol. 9, 1993, Revivendo RVCD-034; Carnaval - Sua história, sua glória, vol. 11, 1994, Revivendo RVCD-059.

Bob Nelson

Bob Nelson (Nelson Pérez), cantor e compositor, nasceu em Campinas, SP, em 12.10.1918, sendo o 6º dos oito filhos de José Pérez, espanhol, ferroviário da Mogiana e dono do Hotel Dalva, e de D. Floresmina. Fez o grupo escolar que funcionava em anexo à Escola Normal e formou-se contador na Escola de Comércio São Luiz. Em sua família só ele teria pendores artísticos.
Com 11 anos já trabalhava no comércio. Depois entrou na Mogiana, apenas para atender ao desejo do pai, foi contador da Armour e caixeiro-viajante. Iniciou-se como crooner da Orquestra Julinho e cantor-solista do Grupo Cacique, que apresentava na Rádio Educadora de campinas (PRC-9), nas pegadas do Bando da Lua e dos Anjos do Inferno, e era formado, além dele, por Paulinho Nogueira e seu irmão Celso, Armando do Couto, primo dos dois e médico, Aimoré dos Santos Matos, oficial, e pelo professor Enéas.
Quando Carmen Miranda se apresentou em Campinas, em 1939, lá estavam eles acompanhando a Pequena Notável. Uma noite, depois de assistir ao filme Idílio Nos Alpes, no Cine Rink, na rua Barão de Jaguara, por brincadeira, começou a se comunicar com um amigo à maneira das montanhas do Tirol, como o cowboy-cantor Gene Autry, com menos perfeição, já vinha fazendo. Aquilo fez vibrar as mocinhas que passavam.
Durante a semana, para viver percorria a Central do Brasil como vendedor das meias Ethel, que ninguém comprava devido ao preço. Uma noite, em Taubaté, cantou no serviço de alto-falante uma adaptação que tinha feito de Ó Suzana. Agradou demais e foi estimulado a ir à Hora da Peneira Rodine, na Rádio Cultura de São Paulo. Vai com o amigo Paulo, que fica com o 2º lugar, com Lábios que beijei, e ele, com Ó Suzana, com o 1º, repartindo entre si, conforme o combinado, os prêmios, 100 e 50 cruzeiros respectivamente, ou seja, 75 para cada um. Aí resolve ficar por São Paulo, tornando-se um "calouro profissional".
Quando canta, sempre Ó Suzana, no programa Calouros do Chá Ribeira, na Rádio Tupi, o diretor Dermival Costalima o contrata a 300 cruzeiros por mês. Numa reunião de diretores, fica decidido que Nelson Pérez positivamente não era nome de cowboy. Um diretor, folheando uma revista de cinema, dá com o nome de Robert (Bob) Taylor, grande galã da época. Costalima tem o estalo: "Bob Nelson!". Nessa ocasião, Assis Chateaubriand, todo-poderoso dono das Associadas, estava empenhando em homenagear, na Tupi, o oficial-comandante americano do Atlântico Sul. Teve uma de suas idéias: "Rapaz, pegue este dinheiro, vá à loja Sloper e compre uma roupa completa de cowboy. E cante Suzana, pois o homem é do Texas!" "- O americano gostou tanto que subiu no palco para abraçar. Ele era muito alto. Abracei ele no joelho!"
Com um repertório ampliado, nesse mesmo ano de 1943, vai atuar no Cassino Ahú, de Curitiba, a 300 cruzeiros por noite. A seguir faz todo o circuito das bases militares, até Natal e Fernando de Noronha. Na volta, Ziembinski o convida para ir ao Rio de Janeiro, onde atua na Rádio Tupi e no Cassino Atlântico, a 500 cruzeiros por noite, com mais sucesso até que Gregorio Barrios e Libertad Lamarque. Como a Tupi ficasse em atraso de pagamento por quatro meses, tenta leiloar nos corredores, com colegas, seus vales e é expulso pelo diretor. Assis Chateaubriand, que o chamava de "cowboy sem cavalo", chega pouco depois e dá-lhe razão: "Atrasou, não pagou, faz leilão dessa porcaria!"
Haroldo Barbosa sem demora o recomenda a Victor Costa, diretor da Nacional. Mesmo já sabendo de seu sucesso, quer testá-lo num programa de auditório. Não deu outra: contrato imediato. Daí em diante o Vaqueiro Alegre, seu slogan, faz-se astro do disco e da Rádio Nacional, emendando um sucesso após outro como Boi Barnabé (com Afonso Simão), Eu tiro o leite (com Sebastião Lima), Minha linda Salomé (Denis Brean e Vitor Simon), Te agüenta, Mané (com Almeida Rego) e Catulé (com Murilo Latini), e sua adaptação de Ó Suzana, gravada na Victor e depois lançada nos EUA.
O Brasil também o conhece através do cinema: Este Mundo É Um Pandeiro (1946), Segura Essa Mulher (1946), É Com Este Que Eu Vou (1948), no qual canta Como É Burro O meu Cavalo! , e Estou Ai? (1949).
Muito depois, em 1970, faria papel de padre em Vale do Canaã, sob a direção de Jece Valadão. Casa-se com Antonietta Leal Perez, em 1950, e têm dois filhos, Nelson Roberto e Eduardo José, e dois netos, Luciana Antonela e Victor Eduardo. Deixando de cantar, continua na Rádio Nacional, como secretário do departamento jurídico e diretor do departamento de gravações.
Na Nacional aposenta-se em 1976, depois de 26 anos ininterruptos de trabalho na estação. Jamais pararia, contudo, de trabalhar. É representante de produtos ópticos, percorrendo todo o Brasil para promover as vendas, e sempre disposto a se apresentar artisticamente, com a mesma disposição e a mesma capacidade de conquistar qualquer platéia.
Fontes: Revivendo Músicas - Biografias; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.