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sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Candinho Trombone

Candinho Trombone (Cândido Pereira da Silva), instrumentista e compositor nasceu no Rio de Janeiro RJ em 30/1/1879 e faleceu na mesma cidade em 12/12/1960. Viveu parte da infância no Asilo de Meninos Desvalidos (depois Instituto João Alfredo).
Integrou a banda de música da Fábrica de Tecidos Confiança, de Vila Isabel, chegando a contramestre. Depois serviu na Brigada Policial, na banda de música do Primeiro Batalhão de Infantaria, sendo também seu contramestre no posto de sargento. Alem de trombone, tocava bombardão e bombardino, ingressando mais tarde na orquestra do Teatro São José.
Começou a compor e participar dos chorões a partir de 19 anos, tendo como companheiros mais constantes Irineu de Almeida, Licas, Luís Gonzaga e Anacleto de Medeiros. Organizou e manteve, por muitos anos, grupos de músicos em Vila Isabel e outros bairros. Alguns membros desses grupos se tornaram famosos, como Amora Cavaquinho e Nolasco.
Conviveu com os grandes chorões das primeiras três décadas do século XX, entre os quais Carramona, Luís de Sousa, Mano Cavaquinho, Cupertino de Menezes, Quincas Laranjeiras, Juca Kalut, General Gasparino, Paulino Sacramento, Catulo da Paixão Cearense, Donga e Pixinguinha, fazendo parte dos grupos Carioca e Malaquias.
Em 1933 ingressou por concurso na orquestra do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1951, quando se aposentou. Compôs uma obra extensa, mas pouco editada, formada em sua maior parte por choros, entre os quais se tornou famoso O nó, tido como modelo no gênero por suas modulações imprevistas.
Obras: Abigail, polca, s.d.; Aldeiazinha, valsa, s.d.; Aniversario do Alarico, polca, s.d.; Artur virou bode, polca, s.d.; Bismarck brincando, polca, s.d.; Brandão no choro, polca, s.d.; Brincando, valsa, s.d.; Brincando de escrever, choro, s.d.; Candinho no choro, polca, s.d.; Carioca, polca, s.d.; Chorando, polca, s.d.; Colar de pérolas, valsa, s.d.; Coralina, valsa, s.d.; Dalba, valsa, s.d.; Dança do urso, polca, s.d.; Deixai-os penar, polca, s.d.; Deliciosa, xotis, s.d.; Um dia em Petrópolis, polca, s.d.; Dulcinéia leal, valsa, s.d.; É isso mesmo, polca, s.d.; Edelvira, valsa, s.d.; Elazir, valsa, s.d.; Floriano brincando, polca, s.d.; Glorinha, polca, s.d.; Graças a Deus, valsa, s.d.; Gratidão de um beijo, valsa, s.d.; Isaura, polca, s.d.; Ivone, valsa, s.d.; Leonila, valsa, s.d.; O Licas procurando, polca s.d.; Martirizando, tango, s.d.; Nadir, polca, s.d.; Não chores, valsa, s.d.; Não digas, polca, s.d.; Não escapa, polca, s.d.; Não se meta, polca, s.d.; O nó, choro, s.d.; Preludiando, xotis, s.d.; Queixosa, valsa, s.d.; Raios de sol, valsa, s.d.; Sapeca, polca, s.d.; Uma saudade, valsa, s.d.; Sílvia, valsa, s.d.; Solicitando, polca, s.d.; Soluçando, polca-marcha, s.d.; Sonho divinal, valsa, s.d.; Súplica, valsa, s.d.; O teu sinal, polca, s.d.; Tinguaciba, polca, s.d.; Trinta janeiros, valsa, s.d.; Triste alegria, polca, s.d.; Uianinha, valsa, s.d.; Vai levando, polca, s.d., Violinista, valsa, s.d.; Ziza, polca, s.d.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

Licas

O instrumentista Licas viveu no Rio de Janeiro entre os fins dos séculos XIX e XX. Tipógrafo, residente no subúrbio da Piedade, começou carreira musical como flautista. Integrou a banda do Corpo de Bombeiros, sob a direçao de Anacleto de Medeiros, destacando-se como executante de bombardino e bombardão.
Freqüentou as rodas de choro mais famosas de sua época, ao lado de Candinho Trombone, Anacleto de Medeiros, Cupertino de Menezes, Catulo da Paixão Cearense, Mano Cavaquinho e Sátiro Bilhar.
Ficaram famosos os contracantos que fazia no bombardino, imitando os baixos melódicos do violao.
Reminiscencias dos chorões antigos - Por Alexandre Gonçalves Pinto:
"Lica, era typographo, morava na rua Sá, em Piedade, foi um grande bohemio e um grande chorão, bombardão falado e conquistado, fazia gosto vel-o tocar, por esta razão era deveras apreciado pelos amantes dos "chôros" pela sua sympathia, conhecia o seu instrumento demais, por este motivo executava com muita cadencia, conhecedor de seu mecanismo, dava sempre preferencia em acompanhar flauta, cavaquinho e violão, sendo pelos mesmos acclamado tal era a macieza de seu sôpro e suavidade das notas melodiosas de seu bombardão.
Houve um tempo em que elle se dedicou á flauta e com este instrumento fez prodigios no meio dos chorões, depois Lica, foi fazer parte da banda de musica do Corpo de Bombeiros debaixo dabatuta do prestigioso e inesquecivel maestro Anacleto de medeiros, de quem se tornou um fervoroso amigo.
Lica, tinha verdadeiro amor e devotamento á arte musical, nos chôros onde elle fazia parte e dispunha de liberdade, pedia a palavra em louvor sempre de Santa Cecilia, tal era o seu enthusiasmo, tambem tinha muita habilidade nas representações de scenas comicas.
Ninguem como o Lica, fazia um anão nos intervallos dos chôros pondo um cesto na cabeça coberto com um pannobranco, fazendo uma carranca na barriga, entrava nos salões arrancando applausos da assistencia.
Elle ia longe a procura de seus companheiros de "chôro" com um bombardão velho e enzinhavrado cumprindo assim a sua palavra, a chegada de Lica, nos "chôros" á ultima hora tinha radiante recepção, pela anciedade de sua presença. Lica, foi um "chorão"inveterado que deixou saudades aos chorões da velha guarda.
Tal a macieza de seu sôpro, como contra baixo de cordas. Acompanhando muitas vezes com o seu velho bombardão até modinhas, fazendo nas suas notas um violão".

General Gasparino

General Gasparino (Gasparino de Castro Carneiro Leão), instrumentista e compositor, morou em São Paulo, capital, e faleceu, na mesma cidade, no ano de 1919. Oficial do Exército e músico, freqüentava as rodas dos chorões da época. Foi professor de flauta e também compôs, destacando-se a polca Ibiapina, a modinha A flor do ipê, com letra de Catulo da Paixão Cearense, e o tango Indígena, que também ganhou versos de Catulo, com o título Ave Maris do sertanejo.
Reminiscencias dos chorões antigos - Por Alexandre Gonçalves Pinto:
"... musico de cultura, e valor. Era professor de flauta e de grande saber. De uma educação finissima e posição elevada. Occupou cargo de grande responsabilidade. Nos seus labios a sua flauta era um primor, conhecia bem as musicas dos velhos chorões, que tocava com grande facilidade, conhecia tambem o classico com grande maestria. Tem em diversos cadernos de alguns chorões, composições suas de alta belleza. Infelizmente tambem como muitos de seus companheiros já dorme o somno eterno. Felizmente ainda tenho em meu archivo uma bella e chorosa polka, com o nome "Ipibiana".

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Carramona

Albertino Ignácio Pimentel, instrumentista, regente e compositor (Rio de Janeiro RJ 12/4/1874 – id. 6/8/1929), foi o primeiro mestre militar da Banda de Música do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, substituiu o maestro Agostinho Luiz de Gouvêa. Amigo particular de Anacleto de Medeiros e de Agostinho Pereira, fazia parte de orquestras e bandas civis do Rio de Janeiro.

Naquele tempo o chamavam de Carramona, alguns pesquisadores dizem que era apelido, hoje, esclarecemos que seu nome verdadeiro era Albertino Pimentel Carramona, e quando já estava no Corpo de Bombeiros, no boletim de 20 de novembro de 1903, pela ordem do dia Nº 116, foi mandando retificar em seus assentamentos, o nome de Albertino Pimentel Carramona, para Albertino Ignácio Pimentel.

Segundo o livro de Ary Vasconcelos, Albertino foi aprendiz dos Meninos Desvalidos de Vila Isabel, onde naturalmente aprendeu a tocar seu instrumento, que o faria mais tarde um dos maiores trompetistas e compositores do Rio de Janeiro.

Foi protegido pela Princesa Isabel, pois estando a Banda dos Meninos Desvalidos tocando um dia no Palácio Guanabara, a princesa ficou encantada pelo solo de trompete, mandado vir a sua presença, notou que ele tinha uma das vistas vazadas, que muito sentiu, e ordenou que fosse apresentado a um oculista que colocou uma prótese tão perfeita, que não se notava o defeito.

Na Banda do Corpo de Bombeiros, como dito anteriormente, realizou sua grande obra. No meio civil, em sua época, foi um grande compositor, com várias músicas gravadas, muitas destas composições com letras de Catulo da Paixão Cearense.

Faleceu no posto de segundo-tenente reformado da Banda do Corpo de Bombeiros. Deixou produção volumosa, especialmente polcas, que depois foram incorporadas ao repertório dos choros.

Alexandre Gonçalves Pinto fala ainda em seu livro O Choro: "Carramona mostrou competência e saber de um verdadeiro artista, seguindo com capacidade e respeito o querido amigo Anacleto. Tornando-se um exímio professor, compositor, e continuador do seu inesquecível mestre, tendo-lhe substituído no nível de igualdade. As músicas de Carramona, são disputadas pelo valor de elevada inspiração".

Obras

Albertina, polca, s.d.; Ameno Resedá, polca, s.d.; Amorosa, xótis, s.d.; Araci, valsa, s.d.; Arisca, xótis, s.d.; Arrufos, polca, s.d.; Botão de rosa, xótis, s.d.; Carnavalesca, polca, s.d.; Catita, valsa, s.d.; Cavação, polca, s.d.; Chininha, polca, s.d.; Choques e cheques, polca, s.d.; Chora, Jesus, polca, s.d.; Colúmbia, dobrado, s.d.; Coralina, polca, s.d.; Deixe-me viver, polca, s.d.; Dengos de moça, xótis, s.d.; Dezenove de abril, xótis, s.d.; Diva, polca, s.d.; Diva, valsa, s.d.; Emilia, gavota, s.d.; Encantadora, mazurca, s.d.; Espumas, valsa, s.d.; Esquecida polca, s.d.; Fagulhas, polca, s.d.; Fantasia ao luar (ou Templo ideal, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), polca, s.d.; Felicidade, polca, s.d.; Os filhos da noite, polca, s.d.; Fio de ouro, polca, s.d.; Fogo vivo, polca, s.d.; Garbo e civismo, dobrado, s.d.; Gaúcho (ou Ondas, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), tango, s.d.; Gueixas, xótis, s.d.; Helena, polca, s.d.; Iracema, polca, s.d.; Joaninha, polca, s.d.; Jorge, dobrado, s.d.; Juçara, polca, s.d.; Jurandi, polca, s.d.; Jurema, polca, s.d.; Lágrimas sinceras, valsa, s.d.; Marfisa, valsa, s.d.; Marília, polca, s.d.; Marília, xótis, s.d.; As mariposas, polca, s.d.; Mas que pagode, polca, s.d.; Meiga, polca, s.d.; Monteiro no sarilho, polca, s.d.; Morrer contente, polca, s.d.; Nanazinha, valsa, s.d.; Não perca a cabeça, polca, s.d.; Noêmia, tango, s.d.; Nonô, polca, s.d.; Olhos furtivos, polca, s.d.; Ouve as minhas súplicas, xótis, s.d.; Pairando no azul, valsa, s.d.; Patuscada, polca, s.d.; A pequena Maria, polca, s.d.; Pérola, polca, s.d.; Raios de luar, valsa, s.d.; Recordações de Lili, valsa, s.d.; Recordações de Paquetá, polca, s.d.; Recorda-te, valsa, s.d.; Sacuda-se, tango, s.d.; Saudades de Luísa, valsa, s.d.; Saudades do Anacleto, dobrado, s.d.; Sempre chegou, xótis, s.d.; A sombra da floresta, polca, s.d.; Sonhando, valsa, s.d.; O Sousa brincando, polca, s.d.; Suavidade, valsa, s.d.; Sugestiva, valsa, s.d.; Tapir, xótis, s.d.; Tinguagiva, polca, s.d.; Tiririca, polca, s.d.; Vaga-lume, paso-doble, s.d.; Yvette (suíte), valsa, s.d.

Fontes: Banda Maravilhosa de Luiz Viana; Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora.