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sábado, 10 de janeiro de 2009

Quarteto Novo


Quarteto Novo é um conjunto instrumental que foi formado em 1966 na cidade de São Paulo. Originalmente Trio Novo, integrado por Theo de Barros (contrabaixo e violão), Heraldo do Monte (viola e guitarra) e Airto Moreira (bateria).

O conjunto foi criado para acompanhar o cantor e compositor Geraldo Vandré em apresentações e gravações. Classificada Disparada (Geraldo Vandré e Theo de Barros) para o II FMPB, da TV Record, de São Paulo, o Trio Novo, encarregado de acompanhar o cantor Jair Rodrigues na música, teve sua formação alterada, pois, por força de contrato com a Rhodia, estavam impedidos de participar do festival. O trio se apresentou então com Aires (viola), Manini (bateria) e Edgar Gianullo (violão).

Com entrada do flautista Hermeto Pascoal, o trio passou a Quarteto Novo, e participou dos programas de televisão que Geraldo Vandré comoandou em São Paulo, na TV Record e na TV Bandeirantes.

Em 1967, com músicas de Geraldo Vandré e dos seus integrantes, o conjunto gravou na Odeon o LP Quarteto Novo, importante experiência de estilização de ritmos nordestinos. Nesse mesmo ano o quarteto acompanhou Edu Lobo e Marília Medalha na apresentação de Ponteio (Edu Lobo e Capinam), que venceu o III FMPB.

O conjunto se dissolveu em 1969, e o LP foi reeditado em 1973.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Anjos do Inferno

Anjos do Inferno - Conjunto vocal e instrumental organizado no Rio de Janrio/RJ em dezembro de 1934, teve sua fase de maior popularidade, como sexteto, na primeira década de 1940. Liderado pelo carioca Oto Alves Borges (Rio de Janeiro 1913—), que atuava como crooner, incluía inicialmente os violonista Moacir Bittencourt e Filipe Brasil, os irmãos Antonio Barbosa (pandeiro) e José Barbosa (violão tenor), além de Milton Campos, um dos primeiros instrumentistas brasileiros a utilizar o pistom nasal (imitação do som de pistom comprimindo as fossas nasais).
O grupo, cujo nome foi escolhido numa alusão a orquestra de estúdio Diabos do Céu, de grande renome na época, sob a direção de Pixinguinha, estreou profissionalmente nas rádios Cajuti e Cruzeiro do Sul, gravando pela primeira vez, na Columbia, o disco Morena complicada (Kid Pepe) e Amei demais (Kid Pepe e Siqueira Filho), sem no entanto alcançar repercussão.
Em 1936 Oto Borges desligou-se do grupo para retomar suas atividades de funcionário público, sendo substituído pelo cantor Léo Vilar. Recém-chegado de uma excursão pelos EUA, como integrante da orquestra de Jonas Silva, o carioca Léo Vilar cujo verdadeiro nome era Antônio Fuína (1914—1969) — assumiu a liderança do conjunto, que ainda em 1936 passou a apresentar-se no Cassino Icaraí e na Rádio Mayrink Veiga, gravando na Columbia Maria foi à fonte (Kid Pepe).
Em 1938 Milton Campos e os irmãos Barbosa foram substituídos por Alberto Paz (Rio de Janeiro 1920—) (pandeiro), Aluísio Ferreira (morto no Rio de Janeiro em 1980) (violão tenor) e Harry Vasco de Almeida (pistom nasal). Com essa formação estreou na Rádio Tupi e exibiu-se no Cassino da Urca, alcançando seu primeiro grande êxito com o lançamento do samba-canção Bahia, oi!... Bahia (Vicente Paiva e Augusto Mesquita), gravado na Columbia em dezembro de 1939, para o carnaval do ano seguinte.
Como artistas exclusivos dessa gravadora lançaram, em 1940 e 1941, diversos discos de grande sucesso, entre os quais os sambas Helena, Helena (Secundino e Antônio Almeida), Que bate fundo é esse? (Bide e Armando Marçal), Brasil pandeiro (Assis Valente), Você já foi à Bahia?, Requebre que eu dou um doce (ambos de Dorival Caymmi) e a batucada Nega do cabelo duro (Rubens Soares e David Nasser).
Em 1942, com a saída de Alberto Paz, Moacir Bittencourt e Filipe Brasil, entraram para o conjunto Hélio Verri (pandeiro), Roberto Medeiros, conhecido como Paciência (violão), e Walter Pinheiro (violão). No mesmo ano Renato Batista, irmão da cantora Marília Batista, substituiu durante alguns meses o violonista Walter Pinheiro.
Em 1944 participaram do filme Abacaxi azul, de J. Rui. No mesmo ano transferiram-se par a Victor, e entre os maiores êxitos gravados nesse selo estao o samba Bolinha de papel (Geraldo Pereira) e a marcha O cordão dos puxa-sacos (Eratóstenes Frazão e Roberto Martins).
Em 1946, com o pandeirista Russinho (Jose Ferreira Soares) substituindo Hélio Verri, o conjunto excursionou pela Argentina e de lá seguiu para o México, em cuja capital permaneceu de 1947 a 1951, atuando em shows e clubes noturnos e participando de onze filmes mexicanos, oito dos quais ao lado de Ninon Sevilla, grande estrela da época. Durante esse período, em 1948, Aluísio Ferreira, Walter Pinheiro, Harry Vasco de Almeida e Russinho transferiram-se para os EUA, passando a integrar o conjunto Bando da Lua. Para substituí-los, Léo Vilar convidou os ex-integrantes do conjunto Os Namorados, o violonista Nanai (Arnaldo Humberto de Medeiros, Rio de Janeiro 1923-São Paulo SP 1990), o violão-tenor Chicão (Francisco Guimarães Coimbra), que também tocava tanta e participava do grupo Quitandinha Serenaders, e o pandeirista e cantor Miltinho, que mais tarde faria carreira individual como intérprete. Com esses novos elementos, o conjunto viajou pelos E.U.A., apresentando-se em Los Angeles ao lado de Carmen Miranda, e durante dois anos manteve na cidade do México um programa radiofônico intitulado Coisas e Aspectos do Brasil.
Em 1951, depois de uma tournée pelo Chile e Argentina, retornaram ao Brasil, contratados pela Rádio Jornal do Comércio, de Recife/PE. Nos dois anos seguintes atuaram no Rio de Janeiro e em São Paulo SP, apresentando-se nas rádios Tupi, Excelsior e Nacional, e realizando temporadas nas boates Monte Carlo e Óasis.
Desfeito o grupo em 1953, por problemas financeiros, o conjunto reapareceria em 1959 novamente liderado por Léo Vilar — que atuava como crooner e ritmista e mais o violonista Gaúcho, o pandeirista Miguel Ângelo, e o ritmista Paulo César no tantã. Durante seis meses apresentaram-se como atração da revista De Cabral a JK, de Max Nunes, J. Maia e José Mauro, encenada no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.
Finalmente, em 1967, os membros antigos do sexteto de Léo Vilar, Walter Pinheiro, Aluísio Ferreira, Roberto Medeiros, Harry Vasco de Almeida e Russinho reuniram se para tocar as segundas-feiras no Arena Clube de Arte, no Rio de Janeiro, realizando uma série de shows em que relembravam os velhos tempos, contando a história de seu conjunto e de outros de sua época.
Apesar das numerosas alterações em toda a sua longa existência de aproximadamente 30 anos de atividades no Brasil e no exterior, constituíram-se num dos conjuntos vocais mais facilmente identificáveis, em parte pela utilização do pistom nasal. CD: Samba da minha terra (c/Bando da Lua, Grupo X Quatro Ases e Um Curinga), 1991, Revivendo CD-019

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Roupa Nova

Roupa Nova

ROUPA NOVA - Grupo carioca especializado em poprock comercial e sofisticado; além de seus próprios discos, o grupo também fez o acompanhamento em gravações pop-rock de Gal Costa, Zizi Possi, Milton Nascimento e outros.
Seus integrantes iniciais eram Cleberson Horsth Vieira de Gouveia (Manhumirim MG 1950—), nos teclados e vocal; Nando (Luís Fernando Oliveira da Silva, Rio de Janeiro RJ 1953—), no contrabaixo; Kiko (Eurico Pereira da Silva Filho, Rio de Janeiro 1952—), na guitarra; e Paulinho (Paulo César dos Santos, Rio de Janeiro 1952—), no vocal e percussão, aos quais se uniram, em 1975, Ricardo Georges Feghali (Belo Horizonte MG 1955—), nos teclados, e Serginho (Sérgio Herval Holanda de Lima, Rio de Janeiro 1958—), na bateria.
Formados em 1970 no Rio de Janeiro com o nome Os Famks, gravaram um compacto pela etiqueta Imagem com Hoje ainda é dia de rock (Zé Rodrix), compactos na Polydor e dois LPs na Continental, além de gravar outros LPs nesta mesma gravadora com o nome Os Motokas.
Contratados pela Polygram em 1980, adotaram o nome Roupa Nova por sugestão de Mariozinho Rocha, produtor dos discos do grupo. Milton Nascimento compôs (com Fernando Brant) uma canção com esse nome, gravada pelo conjunto ainda em 1980.
Mudaram-se para a RCA em 1986 e para a Continental em 1997. Seus sucessos incluem Canção de verão (Luís Guedes e Thomas Roth, 1981), Sapato velho (Mu, Cláudio Nucci e Paulinho Tapajós, 1981), Anjo (Dalto, Renato Correia e Cláudio Rabelo, 1983), Whisky a go go (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1985) e Coração pirata (Aldir Blanc e Nando, 1990).
CDs: O melhor de Roupa Nova, 1989, Polygram 830792-2; Novela hits, 1995, BMG 7432133665-2. (Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; foto: site oficial do grupo).

Blitz

Blitz
Blitz - Septeto que traçou os caminhos do rock brasileiro nos anos 80, foi formado no Rio de Janeiro em 1980. Em 1982 sai o primeiro compacto, Você Não Soube Me Amar, um sucesso estrondoso, logo seguido pelo LP As Aventuras da Blitz.
Com um rock leve, letras bem-humoradas e performance teatral no palco, a Blitz tocou no Rock In Rio de 1985, se apresentou por todo o Brasil e no exterior e consolidou-se como fenômeno de massa. Lançaram produtos como revistas em quadrinhos e álbum de figurinha, em parte devido à sua grande popularidade entre as crianças.
Depois do terceiro LP a banda se desfez, em 1986, voltando a se reunir ocasionalmente para shows ou eventos. Fernanda Abreu seguiu uma bem-sucedida carreira solo e Evandro Mesquita se firmou como ator.
Em 1995 a EMI lançou Blitz ao Vivo e dois anos depois alguns ex-integrantes se reuniram e gravaram o CD Línguas.
Seus integrantes eram: Evandro Mesquita, guitarra e voz; Fernanda Abreu, backing vocal; Marcia Bulcão, backing vocal; Ricardo Barreto, guitarra; Antônio Pedro Fortuna, baixo; William Forghieri, teclados; Lobão, substitído por Jubá, bateria (fonte: Cliquemusic).
Algumas músicas cifradas:

Garotos da Lua

Garotos da Lua – Grupo vocal inspirado no estilo de grupos vocais americanos, que já teve em sua formação Jonas Silva, Acyr Bastos Mello, Milton Silva, Alvinho Sena, Toninho Botelho e João Gilberto.
Estreou em disco em 1946, gravando na Continental a rumba Caravana, versão de Ernâni Reis para a composição Caravan, do músico americano Duke Ellington e In the Mood, de J. Garland, em versão para samba de autoria de Inaldo Vilarim.
Em 1947, gravaram pela Star o samba Se ela reclamar, de Nestor de Holanda e Geraldo Medeiros, e a marcha Cê-cê, de G. Queiroz e Marrins, com versão de Carvalhinho. São de 1950 as gravações, pela Todamérica, da marcha Recruta biruta, de Antônio Almeida, Nássara e Alberto Ribeiro, e do samba Bateria, sentido, de Erasmo Silva.
Em 1951, lançaram o bolero Quando você recordar, de Valter Souza e Milton Silva, e os sambas Amar é bom, de Zé Kéti e Jorge Abdala, e Anjo cruel, de Wilson Batista e Alberto Rego. Em 1953, foram gravados na Sinter, os sambas O direito de chorar e Não interessa, de Russo do Pandeiro e Aristeu Queiroz.
Em 1954, gravaram os sambas Oh, sol, de Ari Macedo e Ari dos Santos, e Não adianta, de Raimundo Olavo e Rogério Nascimento, e ainda a valsa O homem do trapézio, de O'Kee e R. Sinatra, com versão de Haroldo Barbosa, e o samba Feitiço da Vila, de Noel Rosa e Vadico.
São de 1956 as gravações do samba Não diga não, de Tito Madi e Georges Henri, e do beguine Vou tentar esquecer, de Edgardo Luiz. Em 1957, o vocal gravou na RCA Victor o calipso Matilda, de H. Thomas, com versão de Júlio Nagib, e o samba Ginga das palmas, de Carioca.

Grupo X

Grupo X - Grupo composto por Orlando Romano (1917 - voz e tamborim), Mário Romano (1919 - violão), Amílcar de Conte (violão - tenor), Alberto Cabral Botelho (violão e chocalho), Heitor Viana Rabelo (pandeiro) e Frederico Menzen Júnior (1916 - violão).
Apesar de uma curta existência com a formação original, o Grupo X alcançou grande destaque. Estreou em 1935 na Rádio Educadora Paulista. A discografia do grupo foi feita na gravadora Columbia.
De 1936 a 1938, lançou um total de 15 discos com 30 músicas. Na segunda fase, que duraria até 1943, o Grupo X passaria de sexteto a quinteto, contando com Orlando, Mário e Amílcar (integrantes da primeira formação), Orlando Medeiros (pandeiro), posteriormente substituído por Bruno Jacomini, e Ararê Patuska ao violão.
Alguns sucessos do grupo: Modelo de beleza (1936/7), Brazilian Clipper (1936/7), Cantigas de vovô, Já é hora, Toque a flauta...Josefina, Lembrando uns lindos olhos, Prá lá de lá, Casa-te e verás, Não digo a ninguém, Abram alas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Namorados da Lua

namorados da lua

Namorados da Lua. Conjunto vocal organizado no Rio de Janeiro/RJ em 1941 e desfeito em 1947. Teve quatro formações diferentes, sempre liderado por Lúcio Alves, crooner, arranjador e violonista do grupo. Composto por Nei Costa, Agostinho, Geraldo, Joãozinho e Madalena, apresentou-se em público pela primeira vez em 1941, tirando o primeiro lugar no programa de calouros de Ary Barroso, na Rádio Tupi.
Em 1942 gravou seu primeiro disco 78 rpm pela Victor, cantando Vestidinho de Iaiá e Te logo, sinhá (ambas de Assis Valente). Com a saída de Agostinho e Geraldo e a entrada de Russinho — José Ferreira Soares —, o grupo gravou em 1944 na Continental seu segundo disco, Agora sim e Caráter de mulher (ambas de Francisco Santos e João Dinis).
No ano seguinte, gravaram com sucesso na mesma marca os sambas Eu quero um samba (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida) e Morena faceira (Janet de Almeida). A partir dessa gravação, o grupo passou a ser destaque nas programações da Rádio Tupi e gravou dois discos. Novamente com outra formaçao — Lúcio, Nei Costa, Russinho, Joãozinho, Chiquinho (Francisco Storino), Rui Peres e Horaci Medela —, o grupo apresentou-se em temporada no Cassino Atlântico.
Em dezembro de 1945, o grupo se desfez e, em 1946, Lúcio formou novo conjunto, para atender a um compromisso de Carnaval, do qual faziam parte Chiquinho, Miltinho, Nanai (Arnaldo Humberto de Medeiros), Silveirinha (Otaciliano Silveira) e Chicão (Francisco Guimarães Coimbra). Com essa formação, o grupo fez uma temporada no Cassino Copacabana, durante o Carnaval daquele ano, voltou a gravar pela Continental e foi contratado pela Rádio Nacional, até ser desfeito, definitivamente, em 1947.
Dessa última formação, as músicas de mais sucesso foram Dança do ban zan-zan (Janet de Almeida e Francisco Storino) e Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), em abril de 1946; Não bobeie, Calamazu (Caco Velho e Nilo Silva) em maio de 1946;
Em 1947 alcançam sucesso com a gravação do samba De conversa em conversa (Lúcio Alves e Haroldo Barbosa), com a cantora Isaura Garcia na Victor; e Guerra ao pardal (Alberto Ribeiro e Peterpan), marcha lançada no Carnaval de 1948, último disco do grupo.

Época de Ouro

Em 1964, quando Jacob do Bandolim (Jacob Pick Bittencourt) resolveu reunir em torno de si os melhores executantes dos conjuntos regionais das rádios e estúdios de gravação do Rio de Janeiro, não poderia ter sido mais feliz na escolha do nome do grupo.
Época de Ouro retrata não só o momento raro da música popular brasileira ao qual se refere o nome, como o faz da maneira mais brilhante, mais virtuosa que se poderia encontrar no gênero.
Eram famosos os ensaios no casarão de Jacarepaguá, o castelo de Jacob. O menino Paulinho da Viola acompanhava o pai, o senhorial violonista César Farias, carregando o violão para ter o privilégio de sentar-se silenciosamente a um canto e ouvir os deuses.
Sentados em semicírculo ("chorão" tem de ver as caras dos companheiros, tocar "namorando"), liderados pelo bandolim, lá estavam, além do seis cordas de César, o solene sete-cordas de Horondino Silva, o Dino, o outro "seis" de Carlinhos, o estupendo cavaquinho de Jonas e o pandeiro cantabile de Gilberto.
Passava-se uma vez a melodia, luzes acesas. A segunda era no escuro. Terminada, o vozeirão de Jacob corrigia cada raro erro, que não escapava nenhum a seu ouvido. O mestre só se contentava com a perfeição. Os crescendos e diminuendos maravilhosos em Noites cariocas, por exemplo, são frutos de muito ensaio e burilamento.
Damásio entrou no lugar de Carlinhos. Jorge assumiu o pandeiro de Gilberto. Jacob morreu e seu aluno Deo Rian empunhou o bandolim, e o Época de Ouro continuou a cintilar belezas sonoras.
Qualquer apresentação do grupo sempre foi garantia de música brasileira de primeiríssima qualidade. Mantida por sua formação atual, de que fazem parte os originais Dino e César, mais o também antigo Jorge no pandeiro, Ronaldo no bandolim, Jorge Filho, cavaquinho, e Toni no segundo violão de seis cordas.
Arley Pereira /ENSAIO / 23/5/1997

MPB-4

MPB-4

Rui Alexandre Faria, nascido em Cambuci, em1938, Milton Lima dos Santos Filho, de Campos, 1944, Antônio José Waghabi Filho, de Itaocara, 1945, e Aquiles Rique Reis, de Niterói, 1949, todas cidades do Estado do Rio de Janeiro, formam o mais antigo conjunto de que se tenha notícia, no mundo, a manter, desde a criação, os mesmos integrantes.
Rui, Miltinho e Aquiles criaram o grupo em 1962, em Niterói, e a eles juntou-se, em seguida, Waghabi - que, pelo tipo físico, tinha o apelido de Magro, que mantém ainda hoje. No início, eram o Quarteto do CPC, pois apresentavam-se nos espetáculos promovidos pelo Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes.
Foi Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, que os batizou de MPB-4 - e nascia, aí, a sigla MPB, para designar aquele tipo de música popular brasileira voltada para a história urbana da constituição da música popular.
O primeiro disco, um compacto - aqueles disquinhos com uma música de cada lado - saiu em 1964. No ano seguinte eles juntaram as quatro vozes com as das meninas baianas, descobertas por Aloísio de Oliveira, do Quarteto em Cy, num espetáculo montado em São Paulo por Chico de Assis.
Chico de Assis foi um dos incentivadores do jovem Chico Buarque de Hollanda e entra nessa história não só por haver aproximado o xará Buarque do MPB-4 quanto por haver dado o ultimato aos meninos fluminenses: ou vocês largam a faculdade e resolvem fazer música profissionalmente, em tempo integral, ou é melhor desistir. Eles largaram a faculdade, depois de uma reunião - que varou a noite - realizada ali no então célebre bar Redondo, na Av. Ipiranga, em São Paulo.
Começava uma das histórias mais bonitas e íntegras da canção brasileira. Com uma formação de extrema simplicidade - o violão de Miltinho, a tumbadora do Magro, um eventual chocalho de Aquiles e a voz de Rui (inicialmente era só isso), o grupo alcançou um grau de sofisticação que poucas vezes um quarteto vocal conseguiu.
O uníssono é perfeito, as vocalizações (quase sempre escritas por Magro) mudaram o conceito de arranjo vocal e ainda hoje constituem a fórmula em que se baseiam os arranjos vocais. Trabalharam - em shows, peças de teatro, comícios, ou que manifestação tenha sido importante para nossa história recente - com os maiores artistas de seu tempo (houve época em que Chico Buarque não entrava em palco sem eles) e o conjunto de seus discos memoráveis forma uma antologia do que melhor se produziu na MPB - afinal, eles são homônimos da sigla e de certa forma responsáveis por ela - nos últimos 40 anos.
Mauro Dias / MPB ESPECIAL / 4/6/1973

domingo, 9 de dezembro de 2007

Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano

Nilo Amaro e Seus Cantores de  Ébano

Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano - Grupo formado por Nilo Amaro (Moisés Cardoso Neves) e um coro de vozes negras femininas e masculinas (um soprano, um mezzo soprano, um contralto, dois baixos, um tenor e três barítonos), com destaque para o baixo Noriel Vilela.

O conjunto fez muito sucesso na década de 1960. Seu repertório era composto de clássicos da música popular brasileira (sambas e sambas-canções) e do folclore, e de versões para o idioma português de spirituals dos negros americanos, sendo considerado o precursor da música gospel no Brasil. Um de seus maiores sucessos foi a gravação de Leva eu (Sodade)" ("Oh! Leva eu/ Minha saudade/ Que eu também quero ir...").

Lançaram dois LPs pela Odeon (1961 e 1963), reeditados, em 2000, na coletânea Seleção de Ouro - 20 Sucessos - Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano, contendo as faixas Uirapuru (Murillo Latini e Jacobina), Leva eu sodade (Alventino Cavalcanti e Tito Neto), Suas mãos (Pernambuco e Antônio Maria), A lenda do Abaeté (Dorival Caymmi), Azulão (Jayme Ovalle e Manuel Bandeira), Minha graúna (Avarese e Tito Neto), Dorinha (Ary Monteiro e Tito Neto), Tammy (Jay Livingston e Ray Evans), Fiz a cama na varanda (Ovídio Chaves e Dilu Melo), "Down by the riverside", Greenfields (Terry Gilkyson, Richard Deher, Romeo Nunes e Frank Miller), Vaqueiro prevenido (Jacobina e Manoel Macedo), Ellie Lou (You left me there in Charleston) (Sigmam, Loose, Olias e Romeo Nunes), Canção de ninar meu bem (Gracindo Junior e Bidu Reis), A lenda do Rio Amazonas (Jairo Aguiar), Urutau (Murillo Latini e Jacobina), Eu e você (Roberto Muniz e Jairo Aguiar), Devaneio (Djalma Ferreira e Luiz Antônio), Boa noite (Francisco J. Silva e Isa M. da Silva), Nobody knows the trouble I've seen (Nat King Cole e Gordon Jenkins).

Nilo Amaro faleceu em Goiânia, aos 76 anos, no dia 18 de abril de 2004.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Quarteto em Cy

Quarteto em Cy

Quarteto em Cy - Conjunto vocal formado em Salvador BA pelas irmãs Cyva (Cyva de Sá Leite, Ibirataia BA 1939-), Cybele (Cybele de Sá Leite, Ibirataia 1940-), Cynara (Cynara de Sá Leite, Ibirataia 1945-) e Cylene (Cylene de Sá Leite 1946-).
Inicialmente Cynara e Cylene, Cyva e Cybele cantavam em duplas em Salvador. Depois, uniram-se, formando o quarteto, que estreou na TV Itapoã, em Salvador. Em 1959, Cyva foi para o Rio de Janeiro RJ tentar carreira artística, e depois as outras a seguiram. Conheceram, então, Vinícius de Moraes, que sugeriu o nome para o quarteto.
Em maio de 1963, o conjunto gravou com Catulo de Paula a trilha sonora do filme Sol sobre a lama, de Alex Viany. Em 1964 o quarteto fez o primeiro show, na boate carioca Bottle's, e em seguida acompanhou Vinícius de Moraes e Dorival Caymmi em show produzido por Aluísio de Oliveira na boate carioca Zum-Zum, gravando o primeiro LP - Quarteto em Cy - pela Forma, onde se destacaram suas interpretações de Reza (Edu Lobo e Rui Guerra) e Berimbau (Baden Powell e Vinícius de Moraes).
Em 1965 lançou, também pela Forma, o LP Som definitivo, com, entre outras, Arrastão (Edu Lobo e Vinícius de Moraes) e Das rosas (Dorival Caymmi); e, em 1966, gravou o LP Quarteto em Cy, pela Elenco, com Pedro pedreiro (Chico Buarque de Hollanda) e Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinícius de Moraes).
Sem Cylene, que saiu do grupo para casar e foi substituída por Regina, cantora carioca que mudou seu nome para Cyregina, o quarteto foi aos EUA, ainda em 1966, apresentando-se em televisão. Na volta, participou do Show do crioulo doido, de Sérgio Porto, no Teatro Toneleros, no Rio de Janeiro.
A partir de 1967, Cynara e Cybele, sem se desligarem do quarteto, começaram a cantar em dupla, defendendo Carolina (Chico Buarque de Hollanda), no II FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, em que foram classificadas em terceiro lugar. Ainda no mesmo ano, o grupo lançou o LP Marré em Cy pela Elenco.
Em 1968, Cynara e Cybele cantaram a música vencedora do III FIC: Sabiá (Chico Buarque de Hollanda e Tom Jobim); e o quarteto gravou, nesse mesmo ano, o LP Em Cy maior, pela Elenco, com Samba do crioulo doido (Sérgio Porto) e Juliana (Dorival Caymmi).
Através do produtor Aluísio de Oliveira, casado com Cyva, o quarteto foi contratado para atuar nos EUA. Cynara e Cybele deixaram o conjunto nessa ocasião e foram substituídas por Cynthia e Cymíramis, ficando apenas Cyva, do quarteto original. No entanto, em janeiro de 1970, ainda nos EUA, o grupo se desfez, sendo reestruturado em 1972, quando Cyva voltou ao Brasil. A partir de então o quarteto foi formado por Cyva e Cynara e mais Soninha (Sônia Maria Ferreira de Medeiros Albuquerque, Rio de Janeiro 1947-) e Dorinha (Dora Tapajós Gomes, Rio de Janeiro 1950-).
O conjunto gravou, em 1972, pela Odeon, o LP Quarteto em Cy, com Quando o carnaval chegar (Chico Buarque de Hollanda) e Tudo o que você podia ser (Lô e Márcio Borges). Em 1975, lançou pela Philips o LP Antologia do samba-canção, com pot-pourri de Ary Barroso, Lupicínio Rodrigues, Herivelto Martins e outros, e em 1979 saiu Cobra de vidro, LP gravado com o MPB-4. No ano seguinte Cybele voltou ao grupo em lugar de Dorinha, e essa formação permanece há 18 anos, sempre sob a direção musical de Célia Vaz.
Na década de 1980 gravaram os discos Quarteto em Cy interpreta Caetano, Milton, Gonzaguinha e Ivan (1981, Philips); Pontos de luz (1983, Som Livre); A arte do Quarteto em Cy (1984, Philips); e Para fazer feliz a quem se ama (1989, CBS).
Em 1989 o quarteto apresentou-se em Tóquio, participando de um festival de bossa nova, de shows na boate Kay e de um especial para a TV japonesa, juntamente com Carlos Lyra e Leila Pinheiro. Em 1992 viajou pela Espanha, com Carlos Lyra, Gilson Peranzetta e Maria Creuza, participando das comemorações dos 500 anos do descobrimento da América a convite do governo espanhol.
O quarteto voltou a se apresentar no Japão em 1997. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Sharp de Música como o melhor grupo vocal do ano e lançou pela Polygram o CD Bate boca, em que interpreta músicas de Chico Buarque e Tom Jobim ao lado do MPB-4. Na década de 1990 foram lançados os discos Chico em Cy (1991, CID); Vinícius em Cy (1993, CID); Trinta anos (1994, Polygram) e Brasil em Cy (1996, CID).
Fonte: Adaptado da Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000.

Quatro Ases e um Coringa

Quatro Ases e um Coringa - Grupo carioca formado no Rio de Janeiro na década de 40 por três irmãos (Evenor, José e Permínio Pontes de Medeiros) e um amigo André Batista Vieira). Inicialmente um quarteto, adotaram o nome Quatro Ases e Um Coringa com a entrada do último elemento, Pijuca.
Trabalharam nas maiores emissoras de rádio da época (Mayrink Veiga, Nacional, Tupi) ao lado de figuras como Fernando Lobo e César Ladeira. Tornaram-se, ao lado dos Anjos do Inferno, um dos conjuntos vocais mais populares da década de 40.
Gravaram o primeiro disco em 1941, e depois disso realizaram diversas gravações, principalmente de marchas de carnaval. Foram do elenco do Cassino Copacabana. Por volta de 1952 alguns integrantes da formação original saíram, e foram substituídos por outros cantores (Jorge, Nilo Falcão e Miltinho) até a dissolução final, em 1957.
Os maiores sucessos do grupo foram na década de 40: Viva quem tem bigode (David Nasser e Rubens Soares), No Ceará é assim (Carlos Barroso), Trem de ferro (Lauro Maia), Baião (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), Onde estão os tamborins (Pedro Caetano), Cabelos brancos (Herivelto Martins e Marino Pinto), Baião de Dois (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira).

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Severino Araújo e a Orquestra Tabajara

Severino Araújo nasceu em Limoeiro (PE) em 23/4/1917 e dirige a Orquestra Tabajara até hoje. O pai de Severino era mestre de banda em Limoeiro, e foi quem deu as primeiras noções de música. Ainda criança, adotou a clarineta como instrumento favorito.

Na década de 30 mudou-se para João Pessoa (PB), onde foi clarinetista da banda da polícia. Em 1936 escreveu o choro Espinha de bacalhau , uma de suas composições mais famosas. Ainda na Paraíba, foi regente da orquestra da Rádio Tabajara, e com alguns integrantes dela partiu para o Rio de Janeiro no final dos anos 30.

Apenas em 1945 a Orquestra adotou oficialmente o Rio de Janeiro como sua sede. Inspirada nas big bands norte-americanas, a Orquestra anima bailes, festas e gafieiras desde os anos 40 até hoje, totalizando mais de 13 mil apresentações. Além de atuar em bailes e festas, a Orquestra Tabajara trabalhava em emissoras de rádio.

Com grande popularidade, a Orquestra gravou mais de 100 discos de 78 rpm, batendo recordes de longevidade, além de alicerçar o trabalho de cantores como Jamelão, com quem gravou dois discos-tributos a Lupicínio Rodrigues .

Durante a existência do Circo Voador, no Rio de Janeiro, a Tabajara era a atração tradicional dos domingos, com a Domingueira Voadora. O repertório é composto tanto de clássicos do jazz e da canção norte-americana quanto de temas da música brasileira. Severino Araújo, que foi aluno de Koellreuter, é autor de várias músicas executadas pela Orquestra, e comemorou seus 80 anos ainda à frente do grupo, regendo e ensaiando.

Paralamas do Sucesso

Paralamas do Sucesso: Grupo formado em Brasília DF, um dos mais importantes do rock brasileiro da década de 1980, funde o rock com o ska e o reggae jamaicanos, músicas latino-americanas e carimbó, além de outros ritmos brasileiros.
Iniciado em 1982 por Bi Ribeiro (Felipe Ribeiro, Rio de Janeiro RJ 1961) no contrabaixo, Herbert Viana (João Pessoa PB 1961) na guitarra e Vital Dias na bateria, substituído por João Barone (Rio de Janeiro 1962) em 1983.
Foi inspirado em Vital que Herbert Viana compôs Vital e sua moto, primeiro êxito do grupo e um dos pontos altos do primeiro LP, Cinema mudo, de 1983, pela EMI. O segundo LP, O passo do Lui (1984), consolidou a posição do grupo como dos mais criativos do pop-rock brasileiro, incluindo sucessos como Óculos, Meu erro (regravada por Zizi Possi e Nelson Gonçalves), Ska, Romance ideal e Me liga (todas de Herbert Viana).
O terceiro LP, Selvagem? (1986), trouxe dois dos maiores sucessos do ano, Alagados (composição do trio) e Melô do marinheiro, adaptação brasileira do dub, estilo de reggae que consiste numa melodia monocórdica sobre uma linha de baixo repetitiva. Em 1986-1987 apresentaram-se com êxito em Buenos Aires (Argentina), Paris (França) e no Festival de Jazz de Montreux (Suíça).
Outros discos do trio são D (ao vivo em Montreux, 1987), Bora-Bora (1988), Big-bang (1989), Os grãos (1991), Severino (1994), Vamo bate lata (1995) e Nove luas (1996). Outros sucessos do grupo incluem Patrulha noturna (1983), Quase um segundo (1988), Lanterna dos afogados (1989), Luís Inácio (300 Picaretas) (1995), Uma brasileira (1996, parceria de Herbert Viana com Carlinhos Brown e participação de Djavan) e La bella luna (1996).
Herbert Viana lançou dois discos solo: É Batumaré (1993) e Santorini Blues (1997).
Músicas cifradas dos Paralamas do Sucesso:
Fonte: Cifrantiga - História da MPB e Cifras; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Três Morais

Três Morais, Os - Conjunto formado em 1963 pelos irmãos Jane Vicentina do Espírito Santo (Tatuí SP 1943—), Sidney do Espírito Santo (Sorocaba SP 1925—) e Roberto do Espírito Santo (Tatuí 1935—).
Começaram atuando individualmente em conjuntos e orquestras, até se reunirem no conjunto que adotava o sobrenome da mãe - Morais — para gravar jingles. Sidney já havia atuado anteriormente nos conjuntos vocais Garotos Vocalistas (1948), Os Quatro Amigos (1950) e Conjunto Farroupilha (1958).
Mais tarde o conjunto gravou de Ely Arcoverde Sambachiana, composição inspirada no conjunto Swingle Singers. Depois de atuar com repertório quase erudito, começou a interpretar músicas populares em vários programas musicais da época, como O Fino da Bossa e o show Bo-64, através do qual se lançou na televisão.
Jane participou do LP Chico Buarque de Hollanda, cantando a música Com açúcar e com afeto (Chico Buarque), que gravaria sozinha mais tarde. O conjunto gravou três LPs e em 1970 a cantora Jane se casou com o show-man Herondy Bueno, formando com ele uma dupla. Foi então substituída no trio pela cantora Vera Lúcia, originaria do conjunto Alpha Centauri.
Com a nova formação, o trio gravou pela Continental um LP, apresentando grandes sucessos, como as marchas-rancho Pastorinhas (João de Barro e Noel Rosa) e Estrela do mar (Marino Pinto e Paulo Soledade). Entre as composições de Sidney destaca-se Além (com Edson Borges), com várias gravações.
Em maio de 1997 o grupo voltou a reunir-se, com a formação original, apresentando o show Parabéns, Música Brasileira, no projeto Clube da Bossa, organizado por Jane às terças-feiras no restaurante A Baiúca, em São Paulo. Na ocasião cantaram músicas de Tom Jobim, Paulinho Nogueira, Milton Nascimento, Egberto Gismonti e Ely Arcoverde, entre outros.

Trigêmeos Vocalistas

Trigêmeos Vocalistas, Os - Conjunto organizado em 1937, em São Paulo SP, pelos irmãos Armando Carezzato (São Paulo 1917—), e os gêmeos Raul Carezzato (São Paulo 1921—) e Humberto Carezzato.
Depois de se apresentarem individualmente desde crianças, apareceram como o Trio Carezzato, no programa de calouros dirigido por Nilo Melo, no Teatro Colombo, de São Paulo. Foram então contratados para se apresentar na boate Tabu e na Rádio Difusora, de São Paulo, mudando o nome para Os Trigêmeos Vocalistas.
Em 1939 o conjunto foi contratado por Raul Roulien, para uma temporada no Cassino Atlântico, do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo que ingressou na Rádio Nacional; passou depois para a Rádio Globo, voltando novamente para a Nacional.
Gravou em 1940, na Victor, Sacrifício demais (Assis Valente e Leandro Medeiros) e Vieni! Vieni! (Vicente Scotto). O conjunto apresentou-se em Punta del Este e La Ascensión, Uruguai, atuando ainda com Geysa Bôscoli em Buenos Aires, Argentina, fazendo parte do elenco da Rádio Nacional.
Gravou para o Carnaval de 1949, na Odeon, a marcha Os boca negra (Jaú e Dovasal Monteiro Pires). Nesse mesmo ano, fez sucesso com a gravação da rumba El cumbanchero (Rafael Hernández) e o corrido mexicano Don Pedrito (Djalma Esteves e Célio Monteiro), em discos Columbia.
No ano seguinte o sucesso veio com os foxes Eu vou sapatear (Nicola Bruni) e Vaqueiros de Marajó (Stan Jones, versão de Santos Rodrigues), na mesma gravadora. Em 1951, gravou, ainda na Columbia, o fox Tictoc-bum (Charles Trenet, versão de Santos Rodrigues).
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Titulares do Ritmo

Titulares do Ritmo: Conjunto vocal integrado por Francisco Nepomuceno de Oliveira, o Chico (Fortaleza CE 1927—), líder, compositor, arranjador, violonista, pianista; Geraldo Nepomuceno de Oliveira (Fortaleza 1931—), cantor e violonista, Domingos Ângelo de Carvalho (Moeda MG 1921—), cantor; João Cândido Brito (Bom Jesus do Galho MG 1928—), cantor; Joaquim Alves (Valença BA 1921—); e Sóter Cordeiro (São João Evangelista MG 1926—São Paulo SP 1984).
Foi organizado por 1941, quando seus componentes ainda ginasianos e todos cegos, se conheceram no instituto São Rafael, em Belo Horizonte MG. O conjunto estreou na Rádio Inconfidência, dessa cidade, cantando Como se faz uma cuíca (Pedro Caetano). Contratado pela emissora, seguiu em 1948 para São Paulo SP, estreando na Rádio Gazeta e alcançando grande sucesso na década de 1950, quando atuou na Rádio Bandeirantes.
Em 1951 gravou com sucesso o samba Não põe a mão (Mutt, Buci Moreira e Arnô Canegal). Em 1953 lançou, na Victor, a toada Sodade matadera (Davi Raw e Manezinho Araújo) e Mulher de artista (Geraldo Tavares), lançando para o Carnaval Lulu (Jorge Roy e Orlando Monello), e o fox-trot Serenata ao luar (José Maria de Abreu), além de gravar, pela Todamérica, E ela não vem (Hervé Cordovil e Vicente Leporace) e o baião Que saudade, menina (Castro Barbosa).

Ainda nessa década gravaram 16 LPs, entre os quais Homenagem ao Bando da Lua (Copacabana), Jóias musicais (Copacabana), Concerto de música popular (Copacabana), Os fabulosos Titulares do Ritmo (RCA). Tinham também dois programas exclusivos nas rádios Tupi e Record, e criaram a firma Pauta — Gravações e Propaganda onde gravaram jingles comerciais. Após a década de 1970, com mais de 35 anos de carreira, passaram a viver de shows pelo interior de São Paulo.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Titãs

Titãs: Um dos mais importantes grupos de rock brasileiro da década de 1980, cujo estilo incorpora punk hardcore, reggae, rock new-wave e jovem guarda, além de letras concisas e irônicas influenciadas pela poesia concreta.

Foi formado em São Paulo SP em 1982, com o nome Titãs do Iê-Iê, por Arnaldo Antunes (vocal); Ciro Pessoa (São Paulo 1957—), vocal; Paulo Miklos (Paulo Roberto de Sousa Miklos, São Paulo 1959—), vocal e saxofone; Marcelo Frommer (São Paulo 1961—), guitarra; Sérgio Brito (Sérgio de Brito Álvares Affonso, Rio de Janeiro 1959—), teclados; Toni Bellotto (Antônio Carlos Liberatti Bellotto, São Paulo 1960—), guitarra; Branco Melo (Joaquim Cláudio dos Reis de Melo Branco, São Paulo 1962—), vocal; Nando Reis (José Fernando Gomes dos Reis, São Paulo 1963—), contrabaixo; e André Jung (André Jungman, Recife PE 1961—), bateria.

Arnaldo Antunes e Paulo Miklos vinham do grupo músico-teatral Aguilar e a Banda Performática, com que chegaram a gravar um LP independente em 1982. Ciro Pessoa saiu em 1984 e formou o grupo Cabine C. Em 1985, André foi para o Ira!, substituído por Charles Gavin (São Paulo 1960—), justamente seu antecessor no Ira!.

Contratado pela WEA, o grupo gravou em 19840 primeiro LP, Titãs, em que se destacou Sonífera ilha; o disco seguinte, Televisão, teve como sucessos a faixa-título e Não vou me adaptar. A consagração veio com o terceiro LP, Cabeça dinossauro, de 1986. Lançaram ainda na década de 1980 os LPs Jesus não tem dentes no país dos banguelas (1987), Go Back (1988), gravado ao vivo, e Õ Blesq Blom (1989).

Em 1992, Arnaldo deixou o grupo para seguir carreira solo, O grupo continuou em atividade, gravando nos anos de 1990, sempre pela WEA, os discos Tudo ao mesmo tempo agora, Titanomaquia, Domingo e Acústico.

Algumas músicas cifradas:

32 dentes, A face do destruidor, A melhor banda de todos os tempos da última semana, A melhor forma, A verdadeira Mary Poppins, AA UU, Alma lavada, Amanhã não se sabe, Anjo exterminador, As aventuras do guitarrista Gourmet atrás da refeição ideal, Autonomia, Babi Índio, Balada de John e Yoko, Bananas, Bichos escrotos, Bom gosto.

Cabeça dinossauro, Caras como eu, Circo de feras, Ciúme, Clitóris, Comida, Cuidado com você, Daqui pra lá, Desordem, Deus e o Diabo, Dissertação do Papa sobre o crime seguida de orgia, Diversão, Dívidas, Domingo, É bom desconfiar, É preciso saber viver, Enquanto houver sol, Epitáfio, Era uma vez, Estado violência, Estados alterados da mente, Eu e ela, Eu não agüento, Eu não presto, Eu não sei fazer música, Eu não sou um bom lugar.

Família, Felizes são os peixes, Flores, Fuga nº II, Gina superstar, Go back, Hereditário, Homem primata, Igreja, Isso, KGB, Livres para escolher, Lugar nenhum, Marvin, Massacre, Mesmo sozinho, Miséria, Mundo cão, Não fuja da dor, Não vou lutar, Não vou me adaptar, Nem 5 minutos guardados, Nem sempre se pode ser Deus, Nome aos bois, Nós estamos bem

O mundo é bão Sebastião, O pulso, O que, Obrigado, Os cegos do castelo, Palavras, Pelo avesso, Polícia, Porrada, Prá dizer adeus, Provas de amor, Qualquer negócio, Querem acabar comigo, Querem meu sangue, Racio símio, Saia de mim, Senhora e senhor, Ser estranho, Será que é isso o que eu necessito?, Sete cidades, Sonífera ilha, Sua impossível chance, Televisão, Tô cansado,Toda cor, Tudo o que você quiser, Um certo alguém, Um copo de pinga, Um morto de férias, Vamos ao trabalho.

Trio de Ouro

O conjunto vocal Trio de Ouro originou-se da Dupla Preto e Branco, formada em 1934 por Herivelto Martins e Francisco Sena (? - Rio de Janeiro RJ 1935), depois substituído por Nilo Chagas (Barra do Piraí RJ 1917 - Rio de Janeiro RJ 1973).

Em 1936 conheceram a cantora Dalva de Oliveira, quando ensaiavam para se apresentar no Cine Pátria, em São Cristóvão. Passaram, então, a se apresentar como Dupla Preto e Branco com a cantora Dalva de Oliveira, embora mantendo o nome da dupla. Depois foram batizados por César Ladeira de Trio de Ouro, que lançou, em 1937, o primeiro sucesso, com o batuque Itaquari e a marchinha Ceci e Peri (ambas de Príncipe Pretinho), gravadas na Victor. Nesse ano, contratado pela Radio Mayrink Veiga, o trio atuou no programa de César Ladeira.
Em 1938, cantou na Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, casavam-se Dalva e Herivelto. Em 1940, o conjunto transferiu se para a Rádio Clube do Brasil, atingindo nessa década o auge do sucesso, com o lançamento de músicas como Ave Maria do morro (Herivelto Martins), em 1942, na Odeon, e Praça Onze (Herivelto Marfins e Grande Otelo), gravada para o Carnaval de 1942, na Columbia, com o cantor Castro Barbosa.
Em 1950, com o desquite do casal, o trio se desfez. Herivelto refez o trio com a cantora Noemi Cavalcanti (Cachoeiro de Itapemirim ES 1926 ), mas no ano de 1952 Noemi e Nilo Chagas passaram a atuar em dupla. Nesse ano, o Trio de Ouro reapareceu com nova formação: Herivelto, Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—) e Lourdinha Bittencourt (Lourdes Bittencourt, Campinas SP 1928—Rio de Janeiro RJ 1979).
Sua estréia foi marcada pela regravação de antigo sucesso, Ave Maria no morro, na Victor. Assinou contrato com a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos. Excursionou pelo Norte do país, Minas Gerais e São Paulo. Fez temporadas na Argentina, Chile, Uruguai e Peru.
O trio atuou também, por longo tempo, como atração da Rádio Clube de Pernambuco e lançou, na Victor, musicas carnavalescas, como os sambas Noite enluarada (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres) e Sereno (Herivelto Martins e Nelson Gonçalves), gravado na Victor, em 1952, ao lado do cantor Nelson Gonçalves.
Gravou ainda a guarânia Índia (J. A. Flores e M. O Guerrero, versão de José Fortuna); o baião Caboclo abandonado (Herivelto Martins e Benedito Lacerda), a catira História cabocla (Herivelto Martins e Jose Messias), a rancheira Festa no Sul (Raul Sampaio e Rubens Silva), Negro telefone (Herivelto Martins e David Nasser), todos na Victor, em 1953; Saudades de Mangueira (Nelson Trigueiro e Bartolomeu Silva), Me deixa em paz (Jovelino Marques), ambas na Victor, para o Carnaval de 1954, e Boca fechada (Lupicínio Rodrigues), também na Victor em 1954.
Em 1957 o trio foi novamente dissolvido, por problemas de saúde da cantora.
CD Trio de Ouro, 1994, Revivendo RVCD 054.

Trio Madrigal

O conjunto vocal Trio Madrigal era formado pelo maestro Alceu Bocchino na Rádio Mayrink Veiga, em 1946, com Edda Cardoso (Rio de Janeiro RJ 1925—), Magda Marialba (Rio de Janeiro 1921—), ex-integrante do coro clássico do Cassino da Urca, e Margarida Oliveira, irmã de Dalva de Oliveira, que, seis meses depois, retirou-se para casar, substituída por Lolita Koch Freire (Pernambuco 1915—), cantora de música sacra e de câmara.
Capaz de interpretar os mais difíceis e sugestivos arranjos, em 1947 o trio foi convidado pela Rádio Nacional a ocupar o lugar das Três Marias, que tinham se transferido para a Rádio Tupi. Em 1949 estrearam em disco, gravando na Continental com Ivon Curi a valsa Mademoiselle Hortensia (Louiguy e Jacques Plante). Em 1951 obtiveram sucesso com o baião Chuva miudinha (Manezinho Araújo e Fernando Lobo).
Cantavam em todos os programas da Rádio Nacional, sozinhas, acompanhando cantores ou junto com o Trio Melodia, com o qual gravaram 38 músicas. Os dois trios reunidos lançaram pela Continental seleções de grande sucesso: Cantigas de roda, Cantigas de São João e Cantigas de Natal (1951); Festa de São João (1952), com Almirante e Jorge Goulart Cantigas populares (1952) e Tudo é baião (1954). Cantigas de roda ganhou o prêmio de honra da Associação Brasileira de Discos.
No ano seguinte, o Trio Madrigal obteve o mesmo prêmio com o fox Bom-dia Mister Eco (Bill Pitman e Belinda Pitman), cuja gravação exigiu muitos ensaios e a criatividade do técnico Norival Reis, que idealizou uma câmara de eco. A partir da gravação da valsa Lili (Deutsche e Kaper), em 1953, Magda foi substituída por Yelda Tavares Gomes da Silva (Niterói RJ 1929—), soprano, que mais tarde cantaria óperas e daria recitais.
Gravaram até 1955, em 78 rpm, um total de 49 discos com 81 músicas, dentro de um repertório bem variado, que incluiu canções folclóricas, regionais e internacionais, bem como jingles. Em 1956 participaram do filme Tira a mão daí, de J. Rui. Nesse ano, o conjunto dissolveu-se.